BARRAGEM DA AGUIEIRA funciona como controlador das cheias no rio Mondego

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A
barragem da Aguieira, situada a montante de Coimbra, junto à foz do rio Dão, “faz
a diferença” na prevenção e controle decheias do Baixo Mondego, afirma o
comandante Distrital de Operações de Socorro (CODIS).
A
infraestrutura, que começou a operar em 1981 e se integra num sistema mais
vasto, 
onde
se inclui também a barragem da Raiva, perto de Penacova, ou o açude-ponte de
Coimbra, permitiu reduzir o caudal do Mondego para mais de metade, nomeadamente
nos meses de inverno, épocas habitualmente de grande precipitação.
“A
barragem é que marca a diferença. Não potencia cheias, é precisamente ao contrário,
permite controlá-las e atenuá-las”, disse à agência Lusa o comandante Carlos
Luís Tavares.
De
acordo com dados de um estudo sobre o comportamento hidrológico do Mondego,
elaborado em 2005 por investigadores da Faculdade de Letras da Universidade de
Coimbra (FLUC), nas últimas décadas, antes da existência da barragem, o Mondego
chegou a registar caudais de 3.000 metros cúbicos
por segundo (m3/s) em 1948 ou 2.600 m3/s (1977), anos de grandes inundações na
planície agrícola, com cerca de 15.000 hectares, que se estende até à Figueira
da Foz.
O
registo indicativo de cheia milenar, medido no açude-ponte, situa-se nos 1.200
m3/s, embora com valores de cerca de 1.000 m3/s as zonas mais baixas de Coimbra
nas margens do Mondego (Parque Verde) habitualmente inundem, como sucedeu no
último inverno.
De
acordo com o estudo da FLUC, o valor de 1.200 m3/s foi ultrapassado por três
vezes desde 1989, o maior dos quais em janeiro de 2001 (1.900 m3/s), ano em que
se registou uma das maiores cheias de que há memória no Baixo Mondego,
potenciada pela rotura de diques a jusante, que levou à destruição de pontes e
prejuízos de vária ordem.
Cheias de 2001 foram situação
inopinada
Carlos
Luís Tavares considera que as cheias de 2001 foram “uma situação inopinada, um
acidente”, já que, com a rotura dos diques, o Mondego – que corre num canal
artificial entre Coimbra e a Figueira da Foz – saiu do seu leito, inundando
várias povoações nas margens direita e esquerda, “algo que nunca tinha
acontecido” desde que o rio foi regularizado.
Atualmente,
o Comando Distrital de Operações de Socorro possui uma ferramenta, em
colaboração com a Agência Portuguesa do Ambiente, que indica, em tempo real, o
volume dos caudais dos rios, quer do Mondego quer dos seus afluentes, bem como
a cota da água armazenada na barragem da Aguieira, “que permite uma informação atualizada”.
O
comando distrital (CDOS) recebe ainda “indicações diárias” por parte da
Autoridade Nacional de Proteção Civil sobre precipitação e outros fenómenos meteorológicos,
que partilha com diversas entidades, como autarquias e serviços municipais de
proteção civil.
O
comandante distrital explicou ainda que, perante uma situação previsível de
cheia, o CDOS emite alertas atualizados a cada três horas “para que as pessoas possam
estar constantemente atualizadas sobre o que está a acontecer”.
Ouvido
pela Lusa, Vasco Martins, presidente da junta de Ereira, povoação do Baixo
Mondego que, nas cheias de 2001, se transformou numa ilha “como há muito não se
via”, obrigando a população a ser abastecida de barco, sublinha o trabalho da
autarquia de Montemor-o-Velho na prevenção de inundações, nomeadamente na
limpeza de valas e outras intervenções.
Em
fevereiro, a Ereira voltou a sofrer os efeitos da subida das águas, não devido ao
leito central do Mondego, mas antes ao transbordo do canal do chamado “rio
velho” ou “leito abandonado”, por onde o Mondego corria antes das obras de
regularização.| As Beiras