CIÊNCIA VIVA – O céu de novembro de 2014

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Na
madrugada de dia 1 podemos observar Mercúrio na sua maior elongação
(afastamento angular relativamente ao Sol), com este astro a 19 graus a Oeste
do Sol.

A
Lua Cheia tem lugar no dia 6 junto à constelação da Baleia. Dois dias depois a
Lua situar-se-á dois graus a Norte da estrela Aldebarã, o olho da constelação
do Touro. Esta constelação também é conhecida pelo aglomerado estelar do Sete
Estrelo.

O
quarto minguante ocorre no dia 14, com a Lua na constelação do Caranguejo.
Nesta constelação existe um outro aglomerado de estrelas: a Colmeia. O seu nome
deve-se a que, olhando para lá com uns binóculos, faz-nos lembrar um enxame de
abelhas.

Na
noite de dia 17 para 18 dar-se-á o pico da chuva de estrelas das Leónidas.
Estes meteoros parecem surgir de uma região do céu (o radiante) na constelação
do Leão, daí o seu nome. Tal evento deve-se à passagem da Terra pelo rasto de
poeiras deixado pelo cometa Tempel-Tuttle.

Aquando
do seu pico de atividade espera-se, para locais realmente escuros, até uma
quinzena de meteoros por hora. Mas convém aguardar pelo nascimento da
constelação do Leão (já passada a meia-noite) para nos facilitar a observação
destes objetos.

Na
constelação do Leão destaca-se a estrela Régulo um sistema estelar quadruplo
situado a 77 anos-luz. A componente principal deste sistema é uma estrela
branca azulada que está numa fase da vida idêntica à do Sol (consumindo o
Hidrogénio do seu núcleo).

No
outro extremo desta constelação temos outra estrela branca azulada: Denebola.
Esta apresenta pequenas variações de brilho com períodos de algumas horas. Os
astrónomos utilizam este tipo de pulsações estelares para estudarem o interior
das estrelas de um modo análogo ao das ecografias.

Este
mês o Sol e Saturno cruzam-se nos céus estando, no dia 18, a pouco mais de um
grau entre si. Assim não podemos observar este planeta. 

Vénus
é outro planeta que se encontra numa direção muito próxima da do Sol,
continuando a apresentar-se como estrela da tarde.

No
dia 22 tem lugar a Lua Nova. Já na noite de dia 25 a Lua estará junto a Marte,
que este mês se encontra na constelação do Sagitário. Por sua vez, aquando do
quarto crescente de dia 29 a Lua já se terá deslocado até à constelação do
Aquário.

Este
mês reserva-nos igualmente um evento histórico. No dia 12 o módulo Philae
soltar-se-á da sonda Rosetta e irá poisar no núcleo do cometa
67P/Churyumov–Gerasimenko, de onde irá obter diversos dados da sua superfície.
Tal permitir-nos-á saber um pouco mais acerca da natureza dos cometas e da
formação do Sistema Solar.

Boas
Observações!

Fernando
J.G. Pinheiro
(CGUC)


Ciência
na Imprensa Regional – Ciência Viva


Figura 1: Céu a sudeste
pelas 2 horas da madrugada de dia 18. São visíveis o radiante da chuva de
meteoros das Leónidas e algumas estrelas e constelações de relevo. Também é
indicada a posição da Lua nas madrugadas de dia 9 e 14.