DIVISÃO DE HONRA – União derrotado em casa, por adversário de qualidade

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A
primeira eliminatória da Taça da AFC ditou que o líder defrontasse em casa o
2.º classificado da Divisão de Honra, pelo que o jogo foi um convite à
mobilização do público. Quem se deslocou ao Campo da Feira Nova, em Gavinhos,
acabou por assistir a um verdadeiro atestado de qualidade do futebol distrital,
interpretado, sobretudo, pelos “azuis e brancos” da Carapinheira.

A
formação orientada por António Cortesão, que dista 3 pontos do União FC na
classificação mas com menos um jogo – à entrada para este jogo da Taça, o
Carapinheirense tinha festejado por 17 vezes o golo para o Campeonato sem
sofrer nenhum –, exibiu todos os seus atributos, não permitindo grandes veleidades
aos visitados que, embora “empurrados” pela vontade de vencer do seu público, não
encontraram o antídoto para “destruir” o futebol dos visitantes. O equilíbrio
foi algo que não se viu no primeiro período da partida, devido, essencialmente,
à pressão exercida pelos jogadores do Carapinheirense que, antes da meia hora,
já tinha obtido dois “carimbos” para adornar o “passaporte” para a eliminatória
seguinte.
O
brasileiro Gustavo, aos 9 minutos, deixou o aviso, mas o seu remate acabou
desviado para além da linha de fundo por Danilo. No entanto, bastaram 5 minutos
para Cleyton, assistido na perfeição por Seidy, traduzir em golo o ascendente
dos “azuis e brancos”.
Jogadas
bem delineadas baralharam visitados
Esperava-se
a reacção natural dos visitados, mas foram os visitantes que continuaram a delinear
jogadas de elevado recorte técnico, esmiuçando as pretensões dos donos de
terreno que perseveravam num futebol pouco produtivo. Perante este cenário, o
Carapinheirense nunca deixou de povoar o meio campo do União FC até que, aos 26
minutos, foi Alex, de pé esquerdo, a fazer a bola “descrever” um arco e anichá-la
no fundo da baliza de Gonçalo, que nada pôde fazer para evitar a segunda
explosão de alegria dos visitantes.
Aos
30 minutos, Guilherme, ex-júnior do U. Coimbra, não teve cabeça para dilatar o
marcador, já que o seu remate foi travado a dois tempos por Gonçalo, na
sequência de um livre apontado na direita por Alex. Só aos 34 minutos é que o
União FC conseguiu aproximar-se com perigo da baliza contrária, quando Vítor
Martins sacudiu uma bola desferida à entrada da área por Faca, com Reinaldo, na
recarga, descaído na direita, a fazer passar a bola próximo da linha de golo
mas direccionada para o lado contrário em que se encontrava.
Eventuais
dúvidas relativamente ao vencedor deste jogo ficaram dissipadas aos 39 minutos,
com Guilherme, já no interior da área, a rematar cruzado fora do alcance do 
guarda-redes
Gonçalo, a passe milimétrico de Faria, na direita. Ao intervalo, o resultado
não merecia qualquer contestação, com alguns adeptos afectos ao clube local a
renunciar, uma vez que só um milagre colocaria o União FC na rota do sucesso.
Contudo,
foi exactamente na segunda parte que os visitados foram crescendo, até porque o
Carapinheirene, com o resultado construído, optou pela contenção de esforços.
Tratou-se de um período em que o equilíbrio foi mais patente, sobretudo após a
entrada de Tiago, a partir do minuto 71.
Os
minutos iam passando e o nervosismo ia-se instalando. A tarde começava a ficar
fria mas o ambiente ia aquecendo dentro das quatro linhas. Se de um lado o
Carapinheirense procurava dilatar o marcador, o União FC diligenciava o
ambicionado fôlego para continuar a ficar na luta. Os visitantes, no entanto,
permaneciam audazes e lutadores, e nunca viraram a cara à luta. Já do lado dos
visitados, o sofrimento prolongou-se até ao final sem que, no entanto, Reinaldo
e Pimpão perdessem de vista o caminho que os levasse ao golo.
Naturalmente
que o resultado de 0-3 ilustrava a razão pelo qual o Carapinheirense é apontado
como um sério candidato ao título, mas as “mexidas” em ambos os conjuntos
estimularam os visitados que, já em período de compensação, assinaram o golo de
honra apontado subtilmente por Tia go, jovem que saltou do banco com muita energia
mas incapaz de produzir um choque eléctrico para inverter o resultado.
Porém,
o público empolgou-se com o “murro na mesa” de Tiago. O jovem fez um belo 
golo,
num misto de raiva, garra e sentimento. Sem medo, furou toda a defesa da
formação proveniente da Carapinheira para um golo que, embora não fosse decisivo,
atenuou de certa forma a frustração de 90 minutos de tormento.
A
equipa de arbitragem fez um trabalho de excelente nível.| Carlos Sousa