SINISTRALIDADE – Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada assinalado em Coimbra

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Os
acidentes rodoviários provocaram, em 100 anos, mais e 25 milhões de mortes, em todo
o mundo – «mais do que as da 2.ª Guerra Mundial» – e são a causa de 1,3 milhões
de mortes, por ano, a nível mundial. Em Portugal, em 2006, a sinistralidade teve
um peso de 1,64% no PIB e, apesar do número de vítimas mortais ter reduzido um
terço em relação a dez anos atrás e de se ter já conseguido alcançar a metade dos
mortos de há uma década, ambicionada para 2020, a verdade é que este
ano já morreram 397 pessoas nas estradas portuguesas.
«Um
desastre automóvel não é noticiado como uma tragédia, um horror, um genocídio ou
um flagelo, como o ébola, mas é um matador silencioso, recorrente e constante. Só
quando for reconhecido como um trauma mundial é que pode ser combatido e
resolvido», disse ontem, em Coimbra, Manuel João Ramos, presidente da
Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados.
Um
dos porta-vozes da luta pela segurança rodoviária intervinha durante as
comemorações do Dia Mundial em Memória das Vítimas na Estrada, que se assinalou
ontem, em Coimbra, sob o mote “Velocidade Mata”.
«A
grande ambição é podermos comemorar o dia sem mortes nas estradas», disse Jorge
Jacó, da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, admitindo que «há um
caminho a percorrer», nomeadamente de educação rodoviária.
«Na
juventude, a sinistralidade rodoviária é a primeira causa de morte», afirmou,
falando no problema da velocidade, «especialmente preocupante no meio urbano»,
mas também no excesso de álcool, contra o qual «ainda não houve os resultados
esperados ». «Um em cada três mortos tem uma taxa de álcool no sangue superior
ao legal e, destes, 80% com valores correspondentes a crime», afirmou.
A
comissária Margarida Oliveira, da PSP de Coimbra, falou na intensificação das
acções de fiscalização promovidas pela polícia a nível nacional na última década.
«Passámos de 71 mil para 450 mil testes por ano, com um decréscimo da
percentagem de transgressões», afirmou. Em 2004, 14% dos automobilistas tinham
uma taxa de alcoolemia acima do que é legal. Este ano, 4% dos automobilistas não
respeita o lema: “Se conduzir, não beba”.
Na
sessão, promovida pela Estrada Viva – Liga contra o Trauma, em colaboração com a
Escola Superior da Educação (ESEC), em especial da professora e psicóloga Maria
de Fátima Pereira da Silva, participaram ainda Adérito Araújo, presidente da
GARE, Francisco Paz, da Câmara de Coimbra, João Paulo Seguro, da GNR de Coimbra
e Adília Ramos, da ESEC. As comemorações prolongaram- se por todo o dia com várias
actividades.
Menos
mortos e mais feridos graves e acidentes em 2014
De
1 de Janeiro até 7 de Novembro deste ano registaram- se, em Portugal, 98.372 acidentes,
o que significa mais 840 sinistros do que em igual período de 2013. Aliás, de
acordo com dados
revelados
ontem pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), a propósito do
Dia Mundial da Memória das Vítimas da Estrada, apenas no que respeita ao número
de mortos, os valores deste ano são mais animadores em relação aos do ano
passado.
Até
7 de Novembro registaram-se 397 vítimas mortais nas estradas portuguesas. Em
2013, por esta altura, o número já ia em 433 mortos. No que respeita ao número de
feridos graves, este ano, o número subiu para os 1.736, quando no ano passado
estava nos 1.674. A ANSR aponta os distritos do Porto e de Lisboa como aqueles
em que se regista maior número de mortos (51 e 50 mortos, respectivamente) e os
de Portalegre e Guarda como os menos mortais (sete mortes em cada um). | Ana Margalho