SAÚDE – Portugal desperdiça os enfermeiros, diz bastonário da ordem

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O Bastonário da Ordem dos
Enfermeiro (OE) lamentou hoje que Portugal esteja a desperdiçar o conhecimento
dos profissionais que forma, mas entende que isso não pode desincentivar a
investigação e formação contínua, para
 a
melhoria dos cuidados de saúde aos cidadãos.


«Portugal, de alguma forma, tem
desperdiçado os enfermeiros, ao não aplicar o conhecimento em proveito próprio,
em território nacional”, afirmou o Enfº Germano Couto, ao intervir hoje, em
Coimbra, na cerimónia de abertura do Colóquio Cuidar 14, que premeia projetos
de melhoria da qualidade da enfermagem.

Contudo, referiu que quem
permanece em Portugal «tem de dar provas do seu valor», um valor que «não pode
ser deixado ao livre arbítrio das mudanças legislativas ou prazos eleitorais».

Na sua perspetiva, a profissão da
enfermagem «evoluiu de forma ímpar nos últimos 25 a 30 anos» em termos
académicos e científicos.

«As boas práticas são necessárias
à profissão. Uma profissão que não se fundamente em investigação e boas
práticas terá dificuldade em comprovar o seu valor aos decisores políticos, à
sociedade e a si mesmo», acrescentou na cerimónia organizada pela Secção
Regional do Centro (SRC) da OE.

Aproveitou para elogiar os
autores dos três trabalhos concorrentes aos prémios Cuidar 14, que distingue projetos de melhoria da qualidade dos
cuidados de Enfermagem prestados aos cidadãos em instituições dos distritos de
Coimbra e Leiria.

Na sua primeira edição, em 2012,
o concurso Cuidar recebeu 19 candidaturas a concurso, da autoria de
profissionais ligados a instituições de saúde dos distritos de Castelo Branco e
Guarda. Em 2013, edição dedicada a Viseu e Aveiro, foram recebidas 34
candidaturas. Este ano foram 3 as candidaturas de Coimbra e Leiria, e todas
elas foram selecionadas como candidatas a prémio.

Na sua intervenção de abertura do
colóquio o Presidente do Conselho de Enfermagem Regional do Centro, Enfº Hélder
Lourenço, disse que a apresentação de apenas três candidaturas a concurso na
edição deste ano dá uma «imagem pouco abonatória e não consentânea» com a
realidade dos cuidados de saúde nos dois distritos.

Para a Enfª Isabel Oliveira,
presidente do Conselho Diretivo da SRC, independentemente do seu número, o mais
importante é o valor que os projetos trazem para o sistema português de saúde.

Os «três excelentes projetos»
apresentados refletem uma resposta adequada e efetiva das necessidades das
famílias e das comunidades onde estão implementados, dando um excelente
contributo para a melhoria contínua da qualidade dos cuidados de enfermagem,
afirmou o Enfª Hélder Lourenço.

Sobre as edições anteriores do
concurso Cuidar, a Enfª Isabel Oliveira elogiou a postura dos enfermeiros, que
decidiram aplicarem os prémios pecuniários recebidos a favor das instituições,
e dos serviços onde trabalham, no sentido da melhoria dos cuidados que prestam
às populações.

O concurso distingue anualmente
três projetos, com os prémios “Excelência”, “Competência” e “Inovação”,
atribuindo-lhes montantes pecuniários de 1.500, 1.000 e 500 euros,
respetivamente.

“Literacia e educação
terapêutica: Capacitar a pessoa com diabetes tipo2 a lidar com a sua condição
de saúde”, da Unidade Cuidados de Saúde Personalizados de Eiras – Agrupamento
de Centros de Saúde de Saúde do Baixo Mondego, é o único projeto este ano
candidato do distrito de Coimbra.

Do distrito de Leiria foram
apresentados “Aprender SBV para Salvar…Início de um Percurso”, da Urgência
Pediátrica do Centro Hospitalar do Oeste, Caldas da Rainha, e “Assistência
personalizada pelo Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Materna e
Obstétrica em Bloco de Partos”, do Bloco de Partos do Centro Hospitalar Leiria
Pombal.