SÃO PEDRO DE ALVA – Saudade dos Santos, fadista e poetisa, faleceu ontem com 75 anos

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O
funeral da fadista e poetisa Saudade dos Santos, ontem falecida em
Lisboa, aos 75 anos, realiza-se na segunda-feira, a partir da
Basílica da Estrela, em Lisboa, disse à Lusa um familiar, que não
precisou a hora.


Saudade
Cordeiro dos Santos nasceu em S. Pedro de Alva, no concelho de
Penacova, distrito de Coimbra.
A
fadista foi criadora de vários êxitos, entre os quais “Ó meu
amor, marinheiro”, e do seu repertório, fazem parte, entre
outros, “Chico da Mouraria”, além de poemas da sua
autoria.
Saudade
dos Santos, que projetava publicar a sua obra completa de poesia,
venceu em 1957 o concurso Rainha do Fado, realizado em Lisboa.
“Foi
no Linhó, no concelho de Sintra, para onde veio viver com os pais,
que começou a dar os primeiros passos no fado. Por brincadeira ia
trauteando vários fados do repertório de Amália Rodrigues,
acompanhada à flauta pelo pai”, contou à Lusa o jornalista e
investigador de fado Armando Castela.
Aos
17 anos começou a trabalhar num escritório de advogados em Lisboa
“e, sempre que possível, marcava presença em várias casas de
fado”.
“Na
sequência destas participações constantes surge a oportunidade de
participar, em 1957, num concurso, organizado pelo jornal `Vozes de
Portugal`, intitulado `Rainha do Fado`, que venceu. O prémio foi uma
viagem de um mês a Moçambique”, disse a mesma fonte.
Regressou
a Lisboa e atuou em várias casas de fado, entre elas a “Tágide”
que, “à época, era a melhor e mais bem frequentada `boîte` de
Lisboa, onde atuavam os melhores artistas nacionais e estrangeiros”.
Saudade
dos Santos começou a ser presença assídua na RTP, na extinta
Emissora Nacional e noutras rádios, evidenciando “uma grande
atividade artística, com contratos nos casinos de norte a sul do
país”.


Em
1963, o empresário Vasco Morgado convidou-a para fazer parte do
elenco da revista “Lisboa à noite”, no extinto Teatro
Avenida, em Lisboa, que incluía ainda António Silva, Raul Solnado e
Humberto Madeira, entre outros, e à qual se seguiu a participação
na comédia “Uma noiva caída do céu”, com Humberto
Madeira e Ribeirinho, também no Avenida.
“Ao
convite também não é alheio o facto de Saudade dos Santos ser
considerada na altura uma das mais bonitas e elegantes intérpretes
do fado”, afirmou Armando Castela.
A
convite do Ministério da Defesa, participou no espetáculo “Caravana
da Saudade”, que foi apresentado em Angola para os soldados que
se encontravam em missão de combate. Max e Maria Mariza e o
acordeonista Filipe de Brito, faziam também parte do elenco. Voltou
a Angola, numa revista do empresário Joseppe Bastos, em que
contracenou com Leónia Mendes, Maria Dulce e Carlos Coelho.
“Voltou
a Portugal, realizou vários espetáculos e foi convidada para
inaugurar a mais luxuosa `boîte` da ex-Lourenço Marques [atual
Maputo]”, disse Armando Castela.
Participou
na revista “Lisboa Antiga”, no extinto Teatro Monumental e,
em 1964, participou no filme “Canção da saudade”, de
Henrique Campos, no qual, entre outros, participaram Victor Gomes,
Florbela Queirós, Simone de Oliveira, Tony de Matos e Madalena
Iglésias.
Nesse
mesmo ano o seu álbum de Natal, com Manuel Fernandes, recebeu um
prémio da crítica norte-americana, como noticiou a revista Plateia,
em janeiro de 1965.
No
auge da carreira “decidiu que a vida familiar estaria em
primeiro lugar” e abandonou os palcos.
“Vários
artistas têm no seu reportório poemas de Saudade dos Santos e a
próxima etapa, que está de acordo com o seu amor pela arte e a
cultura, será a partilha dos seus poemas com a edição de um
livro”, disse Armando Castela.
O
velório da fadista realiza-se no domingo, a partir das 19:00, na
Basílica, realizando-se o funeral e a cerimónia de cremação na
segunda-feira, segundo a mesma fonte.