CIÊNCIA VIVA – 2015 Ano Internacional da Luz

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Este ano de 2015 foi
proclamado pela UNESCO como Ano Internacional da Luz. De facto, a 25 de Novembro de 2013,
a Assembleia Geral das Nações Unidas, no decurso da sua
68ª sessão, proclamou 2015 como o Ano Internacional da Luz. O Ano Internacional
da Luz é uma iniciativa à escala global que pretende destacar aos cidadãos de
todos os países a relevância da luz, em particular das tecnologias baseadas na
luz, nas suas vidas e no seu futuro. A luz vai ser em 2015 o denominador comum
para milhares de iniciativas transversais a várias disciplinas com impacto
directo no nosso quotidiano. É que há luz por todo o lado e sem luz o Universo
seria muito diferente, não haveria vida tal qual a conhecemos, não estaríamos
aqui. Trata-se de uma oportunidade única para inspirar, educar e ligar pessoas
de um modo global em torno de um tema unificador.

As Nações
Unidas destacaram cinco datas históricas com particular pertinência para o
estudo da luz, que deverão ser celebradas neste ano de 2015:

Há mil anos,
em 1015, o árabe Ibn Al Haytham (conhecido também pela forma latina Alhazen)
escreveu o primeiro “Livro de Óptica”.

Há 200 anos,
em 1815, o francês Augustin-Jean Fresnel apresentou a sua teoria sobre a
natureza ondulatória da luz, que desfez na altura uma controvérsia a respeito
da luz.

Há 150 anos,
em 1865, o britânico James Clerk Maxwell publicou a sua teoria de electromagnetismo,
afirmando que a luz era composta por ondas electromagnéticas (essas celebradas
equações de Maxwell explicam todos os fenómenos eléctricos, magnéticos e
ópticos).

Celebra-se
este ano também o centenário da publicação por Albert Einstein da teoria da
Relatividade Geral, apresentando a luz no espaço e no tempo: a luz é encurvada
nas proximidades de um corpo com massa elevada, que deforma o espaço-tempo á
sua volta.
Há 50 anos,
em 1965, os norte-americanos Arno Penzias e Robert Wilson descobriram a chamada
radiação cósmica de fundo, a luz mais antiga do cosmos que corresponde ao
nascimento dos átomos, quando o Universo tinha cerca de 380 000 anos. Também há
50 anos que o norte-americano Charles Kao apresentou a tecnologia da fibra
óptica, que hoje está generalizada para a difusão dos sinais de televisão e
Internet, para além do seu uso na medicina.

Para além
das referências históricas, a escolha do tema da luz justifica-se em diversas
dimensões. A ciência da luz deu origem a aplicações com impacto directo na
qualidade de vida em todo o mundo. Essas aplicações são dos maiores motores
económicos da actualidade: basta pensar nos telemóveis, na televisão, na
Internet, nos micro-ondas, nos lasers, no GPS, etc. São usadas aplicações do
nosso conhecimento sobre a luz nas comunicações, na saúde, no ambiente e em muitos
sectores da sociedade. O tema da luz, ao ligar várias ciências, várias
tecnologias e ao ligar as ciências à vida, oferece um potencial pedagógico
extraordinário: não se trata de celebrar o ano de uma disciplina isolada, como
a física, a astronomia ou a medicina, mas sim, de um elemento transversal a
praticamente todas elas.

Celebremos
então a luz que tece o Universo e que nos dá vida, e com ela entremos numa
viagem iluminada pelo conhecimento humano.

António
Piedade
Ciência na
Imprensa Regional – Ciência Viva