CIÊNCIA VIVA – O céu de fevereiro 2015

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Em
fevereiro todos os planetas visíveis a olho nu estarão presentes no céu
noturno. Ao pôr-do-Sol, a Oeste, poderemos ver Vénus e Marte, enquanto a Este veremos
Júpiter ao anoitecer, Saturno por volta das 3 da manhã, e Mercúrio ao
amanhecer.
É
com a Lua Cheia bem próxima do planeta Júpiter, no dia 3, que começa a nossa
viagem pelo céu de fevereiro de 2015. No dia seguinte, o nosso satélite passará
a cerca de 6 graus do planeta.
No
dia 6 ocorrerá a oposição de Júpiter, com o planeta a aparecer diametralmente oposto
ao Sol, no céu. Esse será o dia em que Júpiter estará mais brilhante, em todo o
ano.
Dia
12 a Lua atingirá a fase de quarto minguante, e no dia seguinte passará a cerca
de 2 graus de Saturno, com ambos os astros a nascerem por volta das 2h30 da
manhã.

O
amanhecer de dia 17 trará consigo uma Lua finíssima (a Lua Nova será no dia
seguinte), quase colada ao planeta Mercúrio. No entanto, o brilho do Sol
começará a ofuscar estes dois astros quando ainda estão muito baixos no horizonte.
Só mesmo os mais atentos, que às 7 da manhã estiverem virados a Este e com o
horizonte completamente desimpedido, é que conseguirão ver esta conjugação.

No
dia 20, um crescente muito fino da Lua estará separado apenas por 3 graus dos
planetas Marte e Vénus. Procurem este trio logo ao anoitecer, pois pôr-se-ão
por volta das 20h30. Os dois planetas estarão em conjugação no dia seguinte,
passando apenas a meio grau um do outro, no céu. Nesse dia, já a Lua estará a 10
graus de distância de ambos.
No
dia 25, a Lua atinge o quarto crescente. E nessa noite, se traçarem uma linha
reta imaginária que passe pelas 3 estrelas do cinto de Orion (conhecidas entre
nós como 3 marias), à mesma distância destas, mas em pontas opostas, encontrarão
a Lua e Sirius, a estrela mais brilhante do céu à noite.
Mas
Sirius é na realidade um sistema binário. Sirius A é uma estrela azul, com cerca
do dobro da massa e da temperatura (quase 10 mil graus) do Sol. Já Sirius B tornou-se
uma anã branca há cerca de 120 milhões de anos, uma estrela com massa
praticamente igual à do Sol, mas compactada até praticamente ao tamanho da
Terra. Este será o destino do nosso próprio Sol, mas só daqui a 5 mil milhões
de anos.
Sirius
A e B orbitam em torno uma da outra a uma distância semelhante à que Urano está
do Sol, mas como se encontram a cerca de 8,6 anos-luz de distância (Sirius é a
quinta estrela mais próxima de nós, sem ser o Sol), aparecem no nosso céu como
um único ponto, muito brilhante, de tonalidade azulada.
Mas
apesar de a “A” ser muito mais brilhante que a “B” na banda do visível, em raios
X os papéis invertem-se, com Sirius B a brilhar muito mais que a sua
companheira maior.
Boas
observações.
Ricardo
Cardoso Reis (CAUP)
Ciência
na Imprensa Regional – Ciência Viva
Figura 1: A Lua, acima de Marte e Vénus, por
volta das 18h45 do dia 21 de fevereiro. A separação entre os dois planetas é de
apenas meio grau.
(Imagem: Ricardo Cardoso Reis/Stellarium)
Figura 2: O céu virado a Sul, às 20h00 do dia
25 de fevereiro. A linha a amarelo está alinhada pelas “3 marias”, as estrelas
do cinto de Orion.
(Imagem: Ricardo Cardoso Reis/Stellarium)
Figura 3: Sirius A e B, observadas pelo
telescópio espacial Hubble no visível (à esquerda) e pelo telescópio de raios X
Chandra (à direita).
(Imagem visível: NASA/ESA/H.
Bond (STScI)/M. Barstow (U.Leicester) ; Imagem Raios X: NASA/SAO/CXC)