CIÊNCIA VIVA – O céu de março de 2015

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No
começo do mês é possível continuar a assistir à conjugação
(uma aproximação aparente no céu) entre Marte e Vénus, este
último apresentando-se durante todo o mês como estrela da tarde.
Estes astros serão visitados pela Lua nos dias 21 e 22,
respetivamente.

Relativamente
ao nosso satélite natural, podemos acompanhar a sua deslocação da
constelação do Caranguejo, donde estará junto a Júpiter na
madrugada de dia 3, até constelação do Leão aquando da Lua Cheia
de dia 5. Nesta última constelação destaca-se Régulo, um sistema
estelar constituído por quatro estrelas.

Na
noite de dia 8 a Lua irá nascer junto a Espiga, a estrela mais
brilhante da constelação da Virgem. Já na madrugada de dia 12 a
Lua situar-se-á ao pé de Saturno, que está na constelação do
Escorpião.

Ao
final da tarde de dia 13 dar-se-á quarto minguante, mas a Lua só
será visível quando ela nascer pelas duas horas da madrugada do dia
seguinte.

Na
madrugada de dia 19 a Lua passará 5 graus a Norte de Mercúrio, que
por estes dias nasce pouco antes que o Sol. Neste mesmo dia ela
atinge o perigeu, i.e. o ponto da orbita lunar mais próxima da
Terra. Assim ela irá parecer ligeiramente maior do que o Sol.

Pelas
nove horas e meia (hora continental) de dia 20 tem lugar a Lua Nova.
Por ocorrer numa altura em que a Lua está muito próxima do plano da
órbita da Terra em torno do Sol, do alinhamento destes 3 astros
resultará um eclipse solar.

Dada
a maior proximidade da Lua ao nosso planeta, esta tapará
completamente o Sol ao longo de 1 faixa a longo do mar a sul da
Gronelândia até perto do Polo Norte, passado pelas ilhas Faroé e
pelo arquipélago de Svalbard.


Em
Portugal o eclipse será menor, com 57% do disco solar coberto na
Madeira, 62% em Faro, 72% em Bragança e 74% nos Açores.
O
máximo do eclipse terá lugar em instantes diferentes dependendo do
ponto do país: às 7h50 em Ponta Delgada e Angra do Heroísmo, 8h45m
no Funchal, 8h59m em Faro e 9h08m em Bragança. A duração total do
eclipse, esta rondará em todos os casos cerca de duas horas (um
pouco menos nas regiões autónomas e algo mais no continente),
começando cerca de uma hora antes do máximo do eclipse.

Por
coincidência este eclipse marca o início da primavera no nosso
hemisfério, pois às 22 horas e 45 minutos a Terra atinge o ponto da
sua orbita a partir do qual o hemisfério norte passa a estar mais
iluminado do que o Sul, dando origem por cá a dias mais compridos do
que as noites. O instante em que ambos hemisférios se encontram
igualmente iluminados é conhecido no nosso país como Equinócio da
primavera. Já no hemisfério Sul é conhecido por Equinócio do
outono.

O
quarto crescente tem lugar na madrugada de dia 27, sendo uma boa
altura para se observarem crateras e montes lunares.

Finalmente,
nos últimos dias do mês a Lua volta a ocupar as mesmas posições
donde esteve no início do mês, passando por Júpiter no dia 30 (um
dia depois de ter início a hora de Verão) e junto a Régulo no dia
seguinte.
Boas
observações!
Fernando
J.G. Pinheiro (CITEUC)


Figura
1
– Vista do céu a Sul pelas duas horas da madrugada de dia 3
Figura
2
– Eclipse solar do dia 20 de março