LORVÃO – Estudo sugere que tratamento de doentes mentais desinstitucionalizados é desigual

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Desigualdade
no tratamento de pessoas com doença mental e “graves lacunas” no
processo de desinstitucionalização psiquiátrica em Portugal são
as conclusões de um estudo de uma investigadora da Universidade
Católica do Porto.
A
premissa que devia orientar um processo de desinstitucionalização,
que é melhorar a qualidade e as condições de vida das pessoas,
“não foi acautelada”, conclui Filipa Palha, coordenadora do
“Trajectórias pelos Cuidados de Saúde Mental em Portugal”,
estudo promovido pela Associação para a Promoção da Saúde Mental
e Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental, com o apoio
científico do Centro de Estudos em Desenvolvimento Humano da
Universidade Católica do Porto.
Em
entrevista à 
Lusa,
a especialista em saúde mental critica o facto de ter havido
desigualdade no tratamento das pessoas no processo de
desinstitucionalização e sugere, até, que o processo seja
“travado” caso não sejam garantidas as premissas definidas como
necessárias no Plano Nacional de Saúde Mental.
Háclaramente pessoas para as quais a situação se agravouradicalmente”, denuncia Filipa Palha, adiantando que o processo de
desinstitucionalização psiquiátrica em Portugal “tem graves
lacunas” em termos de planeamento e concretização e que está
“longe do que seria expectável”.

Nem
todas as pessoas foram tratadas de igual forma”, assevera a
especialista, questionando, por exemplo, o facto de 24 doentes do
Hospital Miguel Bombarda, que encerrou em 2011, terem sido
transferidos para uma “vivenda de luxo” – a Casa do Restelo –,
enquanto outros utentes foram colocados em lares de terceira idade
que vieram a ser encerrados por falta de condições mínimas de
habitabilidade, ou levados para o Centro Social do Pisão (Sintra),
cuja localidade mais próxima é a quatro quilómetros de carro.
A
investigação teve por base entrevistas a doentes mentais
desinstitucionalizados, seus familiares e profissionais que viveram a
experiência do encerramento de hospitais psiquiátricos em Portugal,
designadamente o Hospital Miguel Bombarda, em Lisboa, o Centro
Psiquiátrico de Recuperação de Arnes, em Coimbra, e o Hospital do
Lorvão, em Penacova, estes dois últimos encerrados em 2012.
Para
o estudo foram entrevistados, entre Janeiro de 2013 e Setembro de
2014, seis doentes mentais desinstitucionalizados, oito familiares e
dez profissionais.
O
estudo diz também que Portugal está “longe de garantir um dos
direitos fundamentais das pessoas com doença mental (…) que é o
direito aos melhores cuidados de saúde disponíveis, integrados no
sistema de saúde a apoio social”.
Para
melhorar o processo de institucionalização, Filipa Palha considera
necessário um maior orçamento para a saúde mental e defende que
não se devia ter encerrado nenhuma instituição sem que houvesse
alternativas.
Em
Portugal, a prevalência da experiência de uma doença mental é de
cerca de 30%, incluindo-se neste valor desde a pessoa que sofre de
depressão, àquela que tem esquizofrenia crónica e está
institucionalizada há 30 anos.
O
estudo “Trajectórias pelos cuidados de saúde mental em Portugal”
vai ser apresentado publicamente por Filipa Palha no próximo dia 13,
no Auditório da Clínica Psiquiátrica de São José (Lisboa), pelas
17 horas.

Fonte www.jornalmedico.pt