KARATÉ – 1.º Open de Penacova já é um sucesso antes de começar

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Prova superou todas as expectativas da
organização e vai trazer a Penacova, no próximo sábado, 271 atletas de todo o
país


O Pavilhão Aniceto Simões recebe,
no próximo sábado, o 1.º Open de Karaté, que vai juntar quase três centenas de atletas.
Em prova estarão caratecas de todos os
estilos, uma estreia em organizações da Associação Shukokai, pelo que, também
aqui, Penacova está na linha da frente.
“Tínhamos apontado para cerca de 150
atleta, mas conseguimos 271, de 44 clubes, portanto superou todas as expectativas”,
diz Carlos Marques, dirigente e mestre do Clube Karate Penacova. Vêm caratecas
“de Braga a Sagres, e também da madeira”, desde o escalão de juvenis até aos seniores,
mas a vontade de organização é, “no futuro, evoluir para um formato de fim de
semana completo, com todos os escalões”.
Quem não vai estar em Penacova são “os
12 atletas da selecção nacional”, já que a organização “teve de antecipar o
evento para o próximo sábado, ao contrário da vontade inicial, que era para o último
fim de semana do mês”. E no próximo fim de semana há “o Campeonato da Europa da
FNKP [Federação Nacional de Karaté Portugal]”, pelo que há muitos que não vão poder
estar. Ainda assim, a adesão acima do esperado levou a que “tivéssemos de
ajustar de dois para três os tapetes de competição, para cumprir os horários previstos”.
Multi-estilos



O Clube Karate Penacova pertence à
Associação Portuguesa de Karaté Shukokai, um dos muitos estilos de karaté
representados em Portugal. Mas esta prova não se cinge ao estilo a que os
atletas de Penacova estão habituados. Mas “o karaté desportivo é igual em qualquer
estilo, o que varia são as posições básicas, as katas, que não vão estar em
prova”,diz Carlos Marques.

O mestre diz que “a tendência tem de
ser a uniformização”, até porque, “no fim de contas, só pode haver um campeão
nacional, o da FNKP”. Federação que “tem sido bastante taxativa na vontade de
uniformização”. Afinal, “antes havia um campeão nacional de shukokai, outro de shotokan,
etc.”, o que “retirava ao karaté credibilidade perante outras artes marciais”.
E o karaté está apostado em “entrar para as modalidades olímpicas”, pelo que
“tem de passar por este processo de uniformização como passou, por exemplo, o
judo, há uns anos atrás”.
Programa
envolvente



O 1.º Open Karate Penacova não se
esgota dentro dos tapetes. Há um programa envolvente, com visitas guiadas à
vila, caminhadas e também animação garantida para os mais novos, com
insufláveis junto ao pavilhão. Um bom programa para os visitantes e também para
os locais, “numa semana em que se comemora o início da primavera e o Dia do
Pai”. Para além disso, “estamos também em plena época da lampreia, o que é
sempre um atrativo”, acrescenta Carlos Marques.
A organização acredita que o facto de
realizar um grande evento em Penacova “é importante”. “Temos vários atletas que
ainda não vão entrar na competição, porque o nível é elevado”, mas vão
certamente poder aprender com o que vão ver. Ainda assim, acredita Carlos
Marques, “o facto de termos uma prova em casa permite a mais jovens entrar em
competição. Há dois que vão competir, pela primeira vez, numa prova inter-estilos,
o que é bom para ganhar experiência”, acrescenta.
O sucesso parece garantido, pelo que, “com
toda a certeza, em 2016 haverá o 2.º Open Karate Penacova”. “Penso que os
apoios se manterão e acredito que este poderá ser o primeiro de muitos, já que
é a primeira prova organizada no sido da minha associação [shukokai] para
interestilos e a tendência é para crescer. Ainda há pouco estivemos numa prova
no Porto, o NPK, que vai na 23.ª edição, e lá estiveram 800 atletas”, diz o
dirigente.

A história do karaté em Penacova
remonta a 1994.


“Na altura, surgiu pela mão dos
mestres Filipe Fernandes e Ema Lopes, que continuam a treinar em Coimbra, no
Sport Conimbricense”, explica Carlos Marques.
Os dois treinadores, “por motivos
profissionais”, foram obrigados a sair “e tiveram de encontrar uma solução.
Convidaram-me a ficar com os treinos, como um dos atletas mais graduados e eu
aceitei”. Foi assim que Carlos Marques deixou de ser apenas um carateca para
passar a ser um mestre.
De 2003 em diante, “o clube passou por
um processo de formalização, que trouxe outra dinâmica”. Começaram “os apoios
da autarquia, que não haviam até então e foi um salto considerável”, acrescenta
o mestre.
Com algumas oscilações de número, hoje
há “mais de três dezenas de caratecas em Penacova”. Já foram mais, “mas esta
não é uma modalidade que desperte a atenção de toda a gente. É preciso gostar”,
esclarece o responsável.
No entanto, “eventos como este Open,
permitem ver a vertente mais desportiva e competitiva, que os miúdos mais
gostam”. Portanto, Carlos Marques acredita que “ é uma forma de poder captar mais
atletas”.
Em eventos anteriores, “apenas no seio
da nossa associação [shukokai], tivemos bastante gente”, portanto, desde o
início que se antevia o sucesso. “Quando lançámos
a ideia, a autarquia disponibilizou-se
logo a apoiar e conseguimos alguns patrocínios”,
diz Carlos Marques.
Um
mestre campeão
Carlos Marques forma campeões, mas
foi, também ele, um dos melhores da modalidade no país. Foi, entre muitos
títulos, duas vezes campeão mundial de karaté shukokai em kumite equipas sénior
e 3.º classificado individual no Campeonato do Mundo de Karate Shukokai Kumite
(-90kg), em 2006 e 2008 

Texto de Bruno Gonçalves e foto de Carlos Jorge Monteiro