TEATRO – Grupo da Escola de Artes estreia-se dia 28 com a Volta ao Mundo

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Nascido
antes da matemática, filosofia, astronomia e física, no seio dos rituais mais
primários do homem, o teatro nunca deixou de existir.

E
porquê? Perguntamo-nos nós, talvez porque somos seres performativos, somos em
sociedade, ou porque muitas condições se reuniram e nunca encontraram
justificação para a sua extinção. De qualquer modo, e também por respeito à sua
longevidade, falemos um pouco dele, neste dia especial.

A
maior qualidade/missão do teatro é
mostrar a verdade
. De uma forma “faz de conta”, é certo, porque a verdade pode
matar, mas, ao mesmo tempo, de uma forma assertiva. No teatro não há extras, tudo é importante.

Dizem
que às vezes é preciso olhar de fora. O teatro é isso, é a verdade mostrada de
uma forma “inocente”, como se estivéssemos a ver a vida de um vizinho e
concluíssemos, enfim, que aquele vizinho e aqueles defeitos, são nossos, ou
como se estivéssemos a ver os malefícios de um pai tirano e concluamos que esse
pai é o nosso sistema, que nos priva de namorarmos com quem queremos. É o privado exposto a público e o público
reduzido ao privado, para uma
compreensão mais atenta.

O teatro é tão humano, e talvez por isso tenha
vivido todos estes anos, que vive do
agora
, vive do palco a acontecer em direto, das falhas, exaltações,
inusitados e resolução dos problemas no presente. Porque também a vida não pára, o show não pode parar
e antes exige mais e mais de nós: improviso, acção e reacção, reflexão e, por
vezes, fingimento.

Claro
que, se teatro é vida, também a vida é
teatro
… quase sempre. Dizia Shakespeare, que o mundo é um grande palco, e
tinha razão. Nenhum de nós é sem que exista público a confirmá-lo. Eu sou real
porque alguém me vê, ouve, tenta compreender.


E as personagens, sempre que têm os nossos copos de atores, não são também
reais?

ao teatro, e descubra!
Sandra Henriques