PATRIMÓNIO – “Nova” Livraria do Mondego ao serviço da comunidade

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As
obras de requalificação da zona envolvente da Livraria do Mondego,
em Penacova, permitiram «preservar, valorizar, dinamizar e promover
o território», nomeadamente, aquele património natural esculpido
pelo tempo ao longo de 400 milhões de anos, com o objectivo de o
colocar «ao serviço da comunidade e de lhe dar uma nova
atractividade» revelou Humberto Oliveira.

O
presidente da Câmara Municipal de Penacova sublinhou, porém que a
«obra ainda não está totalmente concluída», em virtude de
«faltar a colocação de sinalécticas de informação, procedimento
englobado na obra que está a decorrer, e de segurança». Mas a
intenção do autarca passa por dotar o espaço de novas
funcionalidades, como por exemplo «um acesso junto ao rio, ao nível
do parque de estacionamento, que permitam a «democratização do
espaço», ou seja, possibilite que qualquer pessoa «possa
utilizá-lo».
No
fundo, e além de contribuir para o aumento da «qualidade de vida da
população», a autarquia pretendeu com esta iniciativa «promover o
turismo e o tecido económico de Penacova e da região, devolvendo às
pessoas este local sublime de interesse nacional que Penacova em para
mostrar».



Este
espaço natural, cuja obra e requalificação foi financiada com
fundos comunitários do programa Leader ADELO, no valor de 55 mil
euros dos 95 mil de custo total, está dotado e miradouros, percursos
de visita devidamente sinalizados, guardas de segurança e pontos de
descanso, parque de estacionamento para 23 veículos e ainda dois
minicais para ancoragem da barca serrana, permitindo que os
visitantes tenham uma panorâmica «única da Livraria do Mondego a
partir do rio».

Depois
de ter recebido o Alva, seu afluente da margem esquerda, o Mondego
estrangula-se ao atravessar o contraforte de Entre Penedos e surgem
as altas assentadas de quartzíticos silúricos dispostos quase
verticalmente, como se de livros numa estante se tratasse, o que de
resto deu origem à designação popular de Livraria do Mondego.
Constituída por quartzíticos do Ordovícico, a Livraria do Mondego
foi classificada, por Galopim de Carvalho, como um Geomonumento ao
Nível do Afloramento, constituindo-se, pelas características
geológicas que encerra e pela graciosidade escultórica que o tempo
lhe incutiu, como um dos mais singulares monumentos naturais de
Portugal.

Texto de Ricardo Busano