ESCOLA BEIRA AGUIEIRA confia no sucesso do Plano de Revitalização

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Decréscimo
de alunos e das verbas do Estado “abanou”, mas pedido de
insolvência deixou escola “à beira de um ataque de nervos” 

Cientes
que “não há milagres”, os responsáveis da Escola Profissional
Beira Aguieira (EBA) acreditam no futuro e esperam que os problemas
se possam resolver. «Mais do que preocupação – que existe –
precisamos de acção», afirma Teresa Ribeiro, directora geral da
escola. Com efeito, a situação está longe da serenidade e a EBA
viu-se obrigada a accionar o Plano Especial de Revitaliza- ção
(PER). Uma medida tomada no passado dia 13, que pretende fazer frente
a uma “chuva” de problemas. Uns já “históricos”, outros nem
por isso.
Entre
estes está um pedido de insolvência, apresentado por um
ex-professor da escola, recentemente dispensado, esclarece a também
gerente da EBA, explicando que a tentativa de pagar os «cerca de 20
mil euros de indemnização de forma faseada» não foi aceite e o
antigo docente «acabou por requerer a insolvência da escola», num
processo que “deu entrada” a 5 de Março.
Este
é, tão só, o problema mais recente com que a EBA se viu
confrontada, mas que veio “adensar o clima” de fragilidade
financeira, com um acentuado desequilíbrio entre receitas e
despesas. As primeiras vêm dos fundos do POPH (Plano Operacional de
Potencial Humano) e reportam-se às turmas existentes e ao número de
alunos. «Neste momento são cerca de 180», em Mortágua e Penacova,
refere Teresa Ribeiro, fazendo notar que além dos atrasos, as verbas
sofreram «um corte de 5% por turma». Mas o “drama” não se fica
por aqui, pois somase o decréscimo acentuado de alunos. «Temos
perdido, em média, uma turma por ano», o que representa «cerca de
80 mil euros» confessa a directora-geral. «Não há alunos»,
assume, sem entrar em pormenor relativamente à acentuada “disputa”
entre escolas públicas e “privadas”.
Com
um equilíbrio “trágico” entre receitas e despesas, a EBA tem,
ainda, de fazer contas às “despesas correntes”, que incluem
desde os arrendamentos, água, luz e gás, «despesas imprescindíveis
para o funcionamento da escola», adverte Teresa Ribeiro, fazendo
notar que são pagas a dobrar, “repartidas” por Mortágua e
Penacova. O “desequilíbrio”, reconhece, está mais do lado de
Mortágua. Com efeito, a renda do edifício, pertencente a um banco,
cifra-se em cinco mil euros/mês. «Já negociámos e baixaram o
valor, mas mesmo assim é incomportável para os alunos que temos»,
«cerca de 70», assume a também gerente da entidade gestora da EBA,
somando a estes valores a factura da água, luz e gás. Penacova,
reconhece, tem outro “equilíbrio”, «com muito mais alunos, 110»
e custos mais baixos em termos de rendas, «cerca de 800 euros»,
assegura.
Face
ao contexto de crise, dentro e fora de portas, a EBA tem «procurado
reestruturar-se», afiança a directora. «Tivemos de fazer um estudo
de viabilidade para apresentar», adianta. A última “solução”,
o Plano Especial de Revitalização (PER) «foi a saída que
encontrámos na sequência do pedido de insolvência», assume Teresa
Ribeiro. «Precisamos deste PER para reestruturar a escola, mas
também para travar o pedido de insolvência e acreditamos que é
possível», adianta. «O PER é a nossa esperança, caso contrário
era o fim», diz, sublinhando que a situação foi explicada, esta
semana aos professores, funcionários e sindicados.
Como
entidade devedora, a EBA está a tentar negociar com os credores. O
plano salvaguarda, esclarece a directora, os salários, bem como as
despesas correntes, uma vez que «para o plano funcionar, a escola
tem que funcionar. O resto é submetido ao plano, que não passa pela
gerência ou direcção da EBA», uma vez que se trata de um processo
judicial. «Estamos à espera que seja nomeado o administrador
judicial e, então, será ele quem vai definir o plano para a EBA
cumprir», remata
A
directora da escola assegura que a sede da EBA ainda funciona em
Mortágua, apesar de, na sequência das conversações com a
DGESTE, Direcção Geral dos Estabelecimentos Escolares, no âmbito
do processo de reestruturação, a sede tenha sido alterada para
Penacova. Todavia, trata-se de uma questão meramente formal, «que
não implica nada». Teresa Ribeiro contraria, também, as afirmações
do presidente da autarquia de Mortágua, José Júlio Norte, que, em
declarações ao nosso Jornal, publicadas ontem, lamentava não ter
sido informado desta alteração, garantindo que «irá lutar contra
esta situação».
A
direcção da EBA assegura, em comunicado enviado ao nosso Jornal,
que se efectuaram três reuniões da escola com a Câmara, uma «a 29
de Julho de 2014», com «o vereador Dr. Paulo Oliveira», onde foi
«exposta a situação dos custos incomportáveis do espaço físico
de Mortágua», bem como solicitada informação sobre «possíveis
espaços existentes no concelho onde poderia a EBA funcionar,
reduzindo os custos fixos estruturais face a uma reestruturação
obrigatória da escola».
«A
5 de Agosto de 2014» realizou-se nova reunião entre a
«representação da EBA, agora com o Sr. Presidente», onde se fez
«o ponto da situação das dificuldades» e «mais uma vez alertou
para os custos fixos do estabelecimento de Mortá- gua». «Já no
início de 2015, em plena crise e imediatamente após ter recebido os
professores da EBA, o Sr. Presidente solicitou uma reunião com os
responsáveis da EBA, onde foi informado do processo de
transferência para Penacova, em face da incapacidade e
impossibilidade de encontrar alternativas físicas viáveis no
concelho de Mortágua», conclui a escola.

Jornalista Manuel Ventura 


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