IMPRENSA LOCAL – Recordando Joaquim de Oliveira Marques

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Escrevíamos há dias, noutro local,  que o primeiro número do jornal Notícias de Penacova tem a data de 26 de Março de 1932.

Um mês antes de completar 58 anos de publicação, vê morrer um
dos seus principais colaboradores e directores: Joaquim de Oliveira Marques.
Além da dedicação durante muitos anos ao jornal, foi Professor Primário e Delegado
Escolar do concelho de Penacova, ocupando este último cargo durante cerca de 25
anos.
Dizia-nos há dias José Bernardes Oliveira, presidente da Casa
do Concelho de Penacova em Lisboa: ”De 1962 a 1974 fui o seu cobrador
[falávamos do NP] em Lisboa. Por solicitação do prof. Joaquim de Oliveira
Marques era eu que recebia as assinaturas dos assinantes residentes em Lisboa e
nos arredores! Que saudade!”.
Por altura da sua morte em 1976, o jornal que abandonara dois
anos antes, escreveu no artigo “Retalhos de Uma Vida” que J. Oliveira Marques
fora “alguém cujo nome surgirá na mente de quem o conheceu, sem dúvidas nem
medo de engano e que não se apagará enquanto pulsar o coração de um amigo.”
Foi uma daquelas Vidas “que se gastam, não em exclusivo
proveito de si mesmas, mas, antes, são chama que irradia luz à sua volta e se
gasta, sem cessar, dando-se até à entrega total”. Fora, ainda “um cristão que
não se envergonhava de o ser, vivendo coerente com a sua Fé”- salientava também
aquela  “Crónica Breve”, assinada por “Malema”.
Como dissemos, foi responsável pelo jornal durante muitos
anos. Despediu-se dos seus leitores em 13 de Julho de 1974, começando por
escrever que “ seria ingratidão que ao cabo de 42 anos de contacto com o povo
do concelho de Penacova por intermédio do seu jornal”  que procurara “servir desinteressadamente”, e
com “grande sacrifício” , se afastasse “sem uma palavra de agradecimento pela
forma amiga e colaborante” que recebera naquele longo percurso.
Não deixa também de justificar a sua saída. “ Porque saio?” –
pergunta. “Porque a vontade, no máximo de 2% da população do concelho, reunida
na manifestação democrática do 1º de Maio, no salão dos Paços do Concelho,
elegeu novos elementos para gerir os destinos do concelho”. E explica melhor: “Estas
autoridades eleitas, pouco depois de ter aparecido o jornal de 3 de Maio, em
que se dava conta do Movimento do 25 de Abril e onde se defendia a doutrinação
da J.S.N. [Junta de Salvação Nacional] , impuseram à Comissão Fabriqueira da
Igreja de Penacova a minha saída!”. E é com grande mágoa, certamente, que conclui:
” Procurei sempre que o jornal servisse o povo. Saio, pois, com a consciência
tranquila”.
Em Maio de 1976, por ocasião do seu falecimento, o Notícias de Penacova, dirigido agora pelo
Padre Alves Maduro dirá de Joaquim de Oliveira Marques que “um dia, já doente e
sem forças, fraquejou e entregou, com as lágrimas nos olhos, a sua pasta de
escritor.”
A missa de corpo presente foi concelebrada por sete
sacerdotes, um dos quais fora seu aluno: o Padre Arménio Marques, na altura
pároco de Figueira de Lorvão e dali natural.
Deixou viúva, Cândida dos Santos Madeira, também ela
professora aposentada. Era pai das professoras Maria da Piedade Madeira Marques
e Maria Helena Madeira Marques Azougado da Mata.
Naquele dia 27 de Fevereiro de 1976, durante o Cortejo
Fúnebre, abateu-se sobre Figueira de Lorvão uma forte chuvada. Conta o jornal
que alguém terá exclamado:” Esta chuva não era esperada. Isto são lágrimas do
Céu em homenagem a este homem bom da nossa terra”.

David Almeida


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Fotografia publicada no NP de 12/3/1976