DEMOGRAFIA – Beiras é das regiões mais envelhecidas de Europa

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O
Centro de Portugal é “uma das regiões mais envelhecidas” da Europa, sendo
necessário incentivar a instalação de empresas inovadoras que contribuam para a
fixação dos jovens, defende o docente universitário João Malva.

“A
região Centro sofre particularmente”, no contexto da União Europeia (UE), com
as alterações demográficas, um “retrocesso muito acelerado” que tem levado o
interior do país a perder população nas últimas décadas devido à emigração e
decréscimo da natalidade, entre outros fatores, disse João Malva à agência
Lusa.

O
investigador da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra falava na
qualidade de coordenador do grupo de trabalho criado, no âmbito da Macrorregião
do Sudoeste Europeu (RESOE), para diagnosticar e enfrentar os problemas associados
às mudanças demográficas e ao envelhecimento.

A
primeira reunião do grupo realizou-se em Coimbra, no início de março, nas
instalações da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro
(CCDRC), com o objetivo de “identificar uma agenda comum para os desafios
demográficos” que se colocam atualmente às regiões.

“O
objetivo é criar um ecossistema de parceiros para responder a estes desafios,
com contributos concretos para o envelhecimento ativo e saudável”, referiu João
Malva. Com o seu polo estratégico situado em Coimbra, sede da CCDRC, o Centro é
reconhecido pela UE como uma das 32 regiões europeias de Referência para o
Envelhecimento Ativo e Saudável, um estatuto único no território nacional.

No
âmbito da RESOE, “quer-se contribuir para uma sociedade mais inclusiva”, que
promova “boas práticas” para o envelhecimento ativo e saudável, fomentando ao
mesmo tempo a fixação de “jovens empreendedores com novas ideias de negócio” em
cada uma das regiões do Sudoeste Europeu, adiantou o coordenador do grupo de
trabalho.

Desde
o seu alargamento, em 2014, o Sudoeste Europeu, enquanto espaço territorial da
UE, abrange as regiões portuguesas do Centro e do Norte e as regiões espanholas
das Astúrias, Castela e Leão e Galiza.

“A região Centro, onde há um problema
concreto de envelhecimento, tem particularidades bastante interessantes e pode
funcionar como um bom laboratório vivo nesta área”, realçou. João Malva é
também coordenador científico do consórcio “Ageing@Coimbra” – Região Europeia
de Referência para o Envelhecimento Ativo e Saudável, que reúne como entidades
fundadoras a Universidade de Coimbra, o Instituto Pedro Nunes, a ARS do Centro,
o HUC e a Câmara Municipal de Coimbra.

O
consórcio tem como objetivo qualificar a vida dos idosos na região, promovendo
melhores cuidados sociais e de saúde e criando novos produtos e serviços
inovadores e novos meios de diagnóstico e terapêuticas.