SINISTRALIDADE – Em 2014, o distrito de Coimbra foi o que teve o maior aumento de vítimas mortais em acidentes rodoviários

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A mortalidade rodoviária
no distrito de Coimbra aumentou substancialmente em 2014, com 41
mortes, mais 17 do que em 2013, segundo o Relatório Anual de
Segurança Interna (RASI).


Contrariando a tendência
nacional de redução de vítimas mortais – 2014 registou 480 mortes
nas estradas, menos 7,3% do que no ano anterior -, Coimbra surge em
terceiro lugar, depois de Porto (63 vítimas, o mesmo número de
2013) e Lisboa (58, menos 11), o que aumenta a relevância da
reflexão, face às diferenças populacionais e afluxos rodoviários.
Nenhum outro distrito teve um aumento de 17 mortes como Coimbra,
seguindo-se Viana do Castelo, com mais 13, e Bragança, com mais
nove.

«Verifica-se que em 2014
(…) quase todos os distritos viram a sua taxa de mortalidade
rodoviária baixar (média de 30,7%), à excepção de Coimbra, Faro,
Bragança, Vila Real e Viana do Castelo, cuja média de valores
agregada subiu consideravelmente (94%)», lê-se no relatório que
resume a actividade de todas as forças de segurança.

Ou seja, o país está
num percurso inverso ao de Coimbra e 2014 foi o ano em que se
registou a mais baixa taxa desta sinistralidade no país: «pela
primeira vez» desde a década de 50, quando havia 100 mil viaturas
(agora há sete milhões) que as vítimas mortais ficam abaixo das
500

As causas do aumento
desta sinistralidade em Coimbra não são objectivas, embora bastasse
um acidente com maior número de vítimas mortais para influenciar os
dados. António Simões, presidente da Federação de Bombeiros do
Distrito de Coimbra, não encontra «uma explicação plausível»,
até porque «o parque automóvel não aumentou». Todavia, nota um
facto que pode estar associado: as condições atmosféricas de 2014,
com tempo chuvoso, que podem ter contribuído para a sinistralidade.

Globalmente, e novamente
sem dados das regiões autónomas, os acidentes rodoviários
aumentaram um por cento em Portugal. No distrito de Coimbra foram
registados 4.939 acidentes, mais 171 do que em 2013. No RASI, a Estrada Nacional 111, que liga
Coimbra e Figueira da Foz, surge como único ponto negro
identificado. No entanto, António Simões chama também a atenção
para o IC-6, agora com mais trânsito (devido à interdição de
viaturas pesadas na ponte sobre a Foz do Rio Dão, no IP-3) e onde há
registo de acidente mortais. O IP-3, também palco recorrente de
acidentes, «está mais calmo em vítimas mortais», adianta o também
comandante dos Bombeiros Voluntários de Penacova, recordando um
único acidente com duas mortes. Naturalmente, assinala, as áreas de
maior concentração humana, casos de Coimbra, Figueira da Foz e
Cantanhede, são as que apresentam maior número de casos.

Como é público, o
Comando do Destacamento Territorial de Coimbra da GNR tem prestado
particularmente atenção a áreas com maior ocorrência de
acidentes, casos do IC-2 (sobretudo entre Coimbra e Condeixa, troço
sujeito a uma tolerância zero para a velocidade), IC-6 e IP-3. À
acção fiscalizadora, acresce a acentuada acção preventiva, com
maior visibilidade no terreno das forças de autoridade.

Os crimes rodoviários em
Portugal, diga-se a propósito, diminuíram 16,5% em relação a
2013, com destaque para o crime de condução com uma taxa de
alcoolemia superior a 1,2 gl, que passou de 24.607 casos para 20.752
em 2014. Quanto à criminalidade total, de referir que Coimbra
acompanha a tendência global de redução. No distrito foram
registadas 12.143 participações em 2014, menos 5,1% do que em 2013.
Na criminalidade violenta e grave há uma redução ainda maior no
distrito (menos 26,3%), com 396 registos, contra os 537 de 2013.