INOVAÇÃO – Empresa de Tábua cria Folhado de Lampreia de Penacova

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Aquecer
o forno é quanto basta para saborear um folhado de “Lampreia de
Penacova”. Estranho, talvez, mas é a mais recente aposta da marca
tabuense “Cruidoce” que está a dar que falar, depois do sucesso
na apresentação da “iguaria” na BTL – Bolsa de Turismo de
Lisboa e na SISAB – Salão Internacional do Sector Alimentar e
Bebidas.
Deus
quer, o Homem pensa e a obra nasce”. A máxima de Fer­nando
Pessoa assenta como uma luva aos empresários tabuenses Rui Andrade e
Christophe Coim­bra, desde 2007 sócios e proprie­tários da
“Frisalgados”, empresa do ramo alimentar especializada em massas
congeladas, com sede no Parque Industrial de Tábua.
É
lá que são produzidos uma centena de produtos – Salgados,
Folhados / Croissanteria, Pas­telaria, Padaria, Sobremesas e
Sazonais -, a que agora se junta o folhado de “Lampreia de
Pe­nacova”, um produto que dadas as suas características, é
clas­sificado como sazonal, e entrou directamente para a gama dos
“gourmet”.
A
dificuldade em encontrar o folhado num qualquer ponto de venda
deve-se, segundo Rui Andrade, a dois factores: por se tratar de um
produto sazonal, e por isso só se poderá vender nos meses em que há
lampreia (de Janeiro a Abril); e por se tratar de um produto
“gourmet” o “Fo­lhado de Lampreia de Penaco­va”,
nesta fase (…) «só pode ser adquirido nas lojas do “El Corte
Inglês”».
Apostando
fortemente na inovação, a “Frisalgados” quer, ainda assim,
manter a lógica da comercialização dos restantes produtos (…) «o
futuro da em­presa, para além de continuar­mos a produzir o
que já temos consolidado no mercado, passa exactamente por “abrir
portas” aos produtos endógenos que ca­racterizam as diversas
regiões do nosso país», confidenciando ainda que com o sucesso
obtido com este primeiro produto li­gado a uma região
específica, a empresa está já a desenvolver um ao município de
Tábua, e um outro ligado à Serra da Estrela, que irão colmatar a
sazonalidade do folhado de “Lampreia de Pe­nacova”, e, a
partir daí passar a desenvolver (…) «um a dois pro­dutos por
ano», assegura.
Ainda
segundo Rui Andra­de, 2016 será o ano do passo em frente em
termos de exportação (…) «queremos alargá-la para o Canadá (já
em Maio), para Ma­cau (a curto prazo), bem como para Angola,
Canadá, Brasil e países árabes», locais que se juntam a Espanha,
França Suíça e Alemanha, países para onde a empresa está já a
exportar os seus produtos, nomeadamente o pastel-de-nata.
Reconhecendo
que os primei­ros anos foram difíceis, Rui An­drade frisa
que foram também anos (…) «essenciais para a esta­bilização
do projecto – porque a empresa estava com uma imagem débil perante
clientes e forne­cedores – e para lhe dar solidez financeira».
«A partir de 2012, foi a altura em que começamos a pensar a
estratégia da empresa – com um bocadinho mais de ris­co –
para podermos projectar um futuro diferente, e também foi o ano de
rentabilidade, o que nos permite pensar em investimentos que nos
façam ser melhores. Não precisamos, necessariamente, de ser grandes
para sermos bons, mas queremos fazer crescer este negócio, e poder
aumentar a em­pregabilidade e com isso trazer riqueza para o
Município de Tá­bua», acrescenta.
Com
a aposta para os próxi­mos anos a ser pensada no mer­cado
externo, os empresários avançaram, entretanto, com um projecto de
construção de um novo pólo de fabrico (no lote ao lado das actuais
instalações), per­mitindo a criação de entre 10 a 15 novos
postos de trabalho, que se junta aos actuais 42 colabora­dores, e
que em termos financei­ros se reflectirá num acréscimo de
rentabilidade de cerca de 1,2 milhões de euros.
Nos
últimos dois anos, a em­presa registou um crescimen­to na
ordem dos 15%/ano, com um aumento de 30% nas vendas de 2012 a 2014,
tendo fechado o exercício de 2014 com uma fac­turação a rondar
os 2,8 milhões de euros, números que permitem uma estabilidade
financeira mas que não “sobem à cabeça” dos empresários.
«Queremos crescer, mas sem ambição descomedida para não
comprometer a estabili­dade», assegura Rui Andrade.
Christophe
Coimbra e Rui An­drade terminaram a entrevista concedida à
A
COMARCA DE AR­GANIL
com
um agradecimento a todos os colaboradores. «Se che­gámos aqui e
atingimos este pa­tamar, foi com o mérito de todos os
trabalhadores desta empresa», subscreveram.
Folhado
de “Lampreia de Penacova”
«Enquanto
empresa e embora estejamos implementados em Tábua, temos já uma
dimensão de vendas a nível nacional. E nesse intuito, temos que
pensar em produtos que tenham uma abrangência que permitam isso».
Quem
o afirma é o sócio-gerente e engenheiro Alimentar da empresa,
Christopher Coimbra, para explicar que o desenvolvimento do folhado
“Lampreia de Penacova” surge na sequência daquilo que tem sido a
estratégia da empresa, ou seja, criar produtos que possam marcar a
diferença.
«Naturalmente,
no mercado das massas congeladas – produtos de pastelaria congelada
– existem diversos operadores de uma dimensão muito maior do que a
nossa, e nós, para procurarmos o nosso espaço em termos de mercado,
a nossa valia passa exactamente por aqui: pela versatilidade que
temos no fabrico, queremos ter a ousadia de desenvolver produtos que
outros não tenham ainda lançado ou mesmo apostado.
Pensando
na mistura entre aquilo que é o nosso “know-how” e aquilo que
sabemos fazer, que é o trabalhar massas congeladas, e um produto
característico – que é adora por uns e odiado por outros -, que é
distinto e inovador, surgiu, em parceria com a empresa “Irmãos
Norinho, L.da” (criação e comercialização de lampreia), a ideia
de juntar este produto àquilo que é a nossa sabedoria na
transformação de massas, e desenvolvemos algo que é
verdadeiramente diferente daquilo que existia no mercado.
Mas
porque também temos que proteger a nossa posição, apresentámos a
ideia e o produto à Câmara Municipal de Penacova (que emitiu um
Parecer favorável e uma opinião muito positiva acerca do produto),
e deixámos a decisão para a Confraria da Lampreia de Penacova (que
nos deu algumas sugestões para melhorar o produto, fazendo os
ajustes necessários para que o recheio se assemelhasse o mais
possível àquilo que é consumido), que acabou por ser favorável,
permitindo-nos ter já feito a apresentação pública em Lisboa, por
ocasião da BTL.
Para
nós, foi a primeira vez que um produto conseguiu dar-nos espaço de
apresentação pública, criar um momento de opinião, e chamar a
atenção para aquilo que esta empresa consegue fazer de diferente.
Conseguimos
um produto que o mercado não está habituado a ver, o que contribui
em muito para a nossa filosofia de negócio que é, cada vez mais
apostar neste tipo de produtos. Isto é, produtos que incorporem
matérias-primas que nos liguem às diversas regiões do país e que
possam ser entendidos por todos como produtos diferenciadores.
É
bom que se recorde que um prato de “arroz de lampreia de Penacova”,
quem o quiser, terá que o ir consumir a Penacova. Ou seja, o que
propomos é que um produto de massa folhada com lampreia
(confeccionada da mesma forma que a Confraria nos pediu para
respeitar todos os princípios) no formato congelado possa chegar a
qualquer parte do mundo.
Pretendemos,
com os nossos produtos, para além da ligação com as diversas
regiões, ter alguma exclusividade que nos permita ser “bandeira”
para que a nossa marca esteja associada à inovação e a este
constante desenvolvimento. Mas para além deste, que já está a ser
comercializado, aceitámos o repto da Câmara Municipal de Tábua e
podemos anunciar que estamos a criar algo que possa ter a mesma
ligação que o folhado tem a Penacova, ou seja, desenvolver algo
associado àquilo que é promovido na feira gastronómica (queijo,
mel, enchidos) e que o ligue a este concelho e a esta região.
Temos
esse trabalho em mãos, mas, em simultâneo, temos produtos que estão
a ser trabalhados e estão a ser desenvolvidos com uma empresa da
zona da Serra da Estrela (que nos deu uma sugestão de base), para
que possa ser comercializado em todo o mercado nacional.
Resumindo,
a nossa missão é um pouco esta: queremos criar um segmento de
negócio que nos permita mostrar que a empresa é dinâmica e que
quer marcar a diferença em relação aos restantes operadores de
mercado.
Reconhecemos
que o folhado de “Lampreia de Penacova” dificilmente poderá
assumir um padrão de vendas ao nível de um “pastel de nata”,
que é também um produto que trabalhamos muito bem e o que mais
vendemos, mas, não conseguiríamos com ele – que é vendido por
outros operadores também a nível nacional – ter a distinção que
o folhado nos permitiu obter.
Este
produto pela inovação que mostrou, conseguiu abrir-nos portas que
outros até agora não tinham conseguido fazer, e é por aí que nós
queremos continuar.