CIÊNCIA VIVA – Os 25 Anos do Telescópio Espacial Hubble

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Uma
imagem do enxame de estrelas Westerlund 2, situado na maternidade
estelar designada por Gum 29, a 20 mil anos-luz na direcção da
constelação austral de Carina (Quilha), comemora os 25 anos de
valorosos serviços prestados pelo Telescópio Espacial Hubble.
Westerlund 2 e Gum 29 são difíceis de observar pois estão
parcialmente encobertos por nuvens de poeira interestelar situadas na
linha de visão com a Terra. No entanto, a câmara WFC3 (
Wide
Field Camera 3
)
do Hubble conseguiu resolver o enxame numa miríade de estrelas
ocupando um volume com apenas 10 anos-luz de diâmetro. Com uma idade
estimada de apenas 1 ou 2 milhões de anos, as cerca de 3 mil
estrelas do Westerlund 2 são muito jovens; algumas delas ainda não
atingiram a sequência principal, a primeira fase na vida de uma
estrela em que produz energia transformando hidrogénio em hélio no
seu núcleo , e são visíveis na imagem como uma nuvem de pequenos
pontos vermelhos em torno das estrelas mais brilhantes do enxame.

Algumas das estrelas de
Westerlund 2 estão entre as mais maciças e luminosas conhecidas e
emitem quantidades copiosas de raios ultravioletas. Esta radiação
ioniza e erode gradualmente a nebulosa circundante, criando uma
cavidade e pilares negros com formas bizarras, visíveis sobrepostos
à nebulosa. Westerlund 2 tem ainda a particularidade de conter um
dos sistemas binários mais maciços conhecidos em que as massas
individuais das estrelas são conhecidas com exactidão — dois
colossos estelares, cada um com cerca de 80 massas solares e mais de
1 milhão de vezes a luminosidade solar.


De facto, é no dia 24 de
Abril que o Telescópio Espacial Hubble, um projecto conjunto da NASA
e da ESA, comemora 25 anos de serviço em órbita da Terra. O
projecto teve as suas raízes nos anos 70 do século XX, quando as
duas agências iniciaram o desenvolvimento de um telescópio espacial
que observaria o Universo primariamente na região do espectro
visível. A opção pelo espaço eliminaria as limitações sérias
impostas pela atmosfera terrestre à performance dos telescópios.

Após anos de pesquisa,
desenvolvimento e vários contratempos, o telescópio, um
Ritchey-Chrétien com um espelho primário de 2.4 metros, foi
finalmente colocado em órbita em 24 de Abril de 1990. Nessa altura,
o custo do projecto atingia já os 2,5 mil milhões de dólares.
Pouco tempo depois, tornou-se evidente que o espelho primário do
telescópio apesar de extremamente preciso, tinha sido produzido com
a curvatura errada. Uma missão subsequente com o vaivém espacial
Endeavour instalou um corrector óptico que resolveu o problema e
permitiu ao Hubble funcionar no máximo das suas capacidades.

Desde então, o
telescópio tornou-se um dos instrumentos mais produtivos ao dispor
da comunidade científica, dando origem a mais de 10 mil artigos
científicos publicados em revistas com revisão por pares. O impacto
destes artigos no progresso científico pode ser aferido pelo facto
de, anualmente, 10% dos artigos mais citados (uma medida da sua
qualidade) serem baseados em dados obtidos com o Hubble. E depois há,
é claro, a enorme colecção de imagens adquiridas pelo telescópio
ao longo deste quarto de século em órbita. Imagens que permitem
fazer ciência mas também, tão importante, inspirar várias
gerações de futuros cientistas.

Foi precisamente nesse
espírito que a NASA e ESA resolveram fazer algo de especial para as
comemorações dos 25 anos em órbita do Hubble, uma imagem marcante,
inesquecível, que demonstrasse as capacidades soberbas do
telescópio. A imagem, mantida em segredo durante semanas, foi
publicada no dia 23 de Abril, ou seja um dia antes do 25º
aniversário.

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