NÃO LIXES O MONDEGO – Movimento quer menos lixo no chão durante a Queima de Coimbra

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Depois
da recolha de carrinhos de compras na Festa das Latas, a iniciativa
tem como objectivo continuar a combater a poluição no rio Mondego

Perante
as toneladas de resíduos produzidos durante a semana da Queima das
Fitas, o objectivo passa por sensibilizar os estudantes para os
problemas ambientais. A campanha “A Coimbra chegou uma nova
tradição… Não atirar lixo para o chão” surge na sequência de
outra iniciada em 2014 (“Não Lixes o Mondego”) e parte do mesmo
grupo de cidadãos.

Como
os momentos que atraem maiores multidões da Queima das Fitas de
Coimbra têm lugar à beira rio, o representante do movimento,
Fernando Jorge Paiva, explica que a principal preocupação prende-se
essencialmente com o Mondego. A Praça da Canção (o recinto onde se
realizam os concertos) e o largo da Portagem (onde termina o
tradicional cortejo) são os pontos nevrálgicos. Mesmo que haja
empresas a recolher os resíduos, “ao atirarem lixo para o chão,
basta haver vento que todo o plástico vai parar ao rio”,
exemplifica.
Fernando
Paiva acredita em recorrer a “acções de sensibilização” como
parte da estratégia para consciencializar os estudantes a não
deitar lixo para o chão, quer no recinto, quer durante o cortejo.
Para tal, a iniciativa conta este ano com o apoio da Câmara
Municipal de Coimbra, com a Associação Académica, bem como com
várias superfícies comerciais da cidade. Para além das “acções
de sensibilização”, que consistem em cartazes afixados nos
caixotes do lixo ao longo do percurso do cortejo, o representante
refere ainda um acordo com a autarquia para que haja “estruturas
identificadas” ao longo desse itinerário, o que se traduz no
reforço dos pontos de recolha de resíduos.
A
anterior iniciativa, “Não Lixes o Mondego”, tinha como objectivo
evitar uma prática já comum dos estudantes. No final do cortejo da
Festa das Latas, estes tinham por hábito atirar ao rio os carrinhos
de compras (furtados a grandes superfícies comerciais nos dias que
antecedem os festejos). Tendo anteriormente, com a ajuda de amigos,
retirado 214 carrinhos das águas do Mondego, a campanha de 2014
pretendia impedir que, no final do cortejo, estas ficassem novamente
pejadas de plástico e metal. No cortejo do início deste ano lectivo
foram distribuídos folhetos a informar sobre a existência de
“parques de estacionamento” para os carrinhos no largo da
Portagem. A operação foi um sucesso e foram recolhidos entre 800 a
1000 carrinhos de compras, que depois foram devolvidos às
superfícies comerciais.
Fernando
Jorge Paiva reconhece que, ao contrário da recolha dos carrinhos, “é
bem mais difícil” controlar a quantidade de lixo deitado ao chão,
mas encara isso como “um desafio maior”. Para o futuro, “pouco
a pouco”, Fernando Paiva aponta para um ideal de “zero lixo”
atirado para o chão durante as festividades. Uma das ideias passa
por “reunir com as seguradoras, com as cervejeiras, com os
estudantes e com a câmara, para abolir os copos de plásticos e
substituí-los por canecas” do mesmo material, com o ano da Queima
e a côr do curso. Esta medida poderia evitar a “quantidade massiva
de copos” utilizada todos os anos.
A
Queima das Fitas de Coimbra começou na quinta-feira com a serenata
monumental e as noites do parque decorrem até ao dia 15. Uma das
novidades desta edição é a possibilidade da compra de bilhetes
pontuais pela internet. Citada pela agência Lusa, a comissão
organizadora conta que o número de entradas ultrapasse a marca dos
100 mil. O cortejo com os carros dos respectivos cursos realiza-se no
domingo e, como é hábito, está previsto o corte de trânsito entre
a Alta e a Baixa da cidade, em vias como a rua Alexandre Herculano, a
praça da República ou a avenida Sá da Bandeira.