O fim do projeto “Escolíadas”

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Foi
no ano de 1998, que Penacova, foi a primeira vez às Escolíadas, na altura,
estava na associação de estudantes da Secundária, o meu primeiro ano de quatro
e recebemos por correio, o convite para participar, mas pareceu-me muito
difícil e muito trabalho, mandámos o panfleto para o lixo. Passado um dia ou
dois a Presidente do executivo, chamou-me ao gabinete, era na altura a
Professora Ana Clara, disse-me, qualquer coisa, como isto “Gonçalo, vamos
participar neste evento, trate disso” e foi assim, que começou a aventura de
Penacova nas Escolíadas, fomos 11 anos, desses participei em 10, atingimos
várias finais, chegamos a perdê-las por um único ponto. A Câmara ajudava
bastante e enchíamos os 3 pinheiros, levávamos as nossas provas de Claque,
Teatro, Pintura e Música…

As
Escolíadas continuaram a crescer e tornaram-se numa máquina grande, criou-se
mais um polo, neste momento eram 3 (Aveiro; Coimbra e Viseu), mas tudo o que é
bom se acaba e neste momento está terminada essa fase, 25 anos depois, vai
acabar!

Deixo
alguma informação, disponibilizada pela Associação Escolíadas:

Escolíadas
terminam em 2015 por falta de apoio financeiro.

A
todos os Escoliásticos, escolas, entidades

Em
2015 as Escolíadas comemoram 25 anos. Foi em 1990 que alguns jovens alunos e
professores de 6 escolas arriscaram pisar, pela primeira vez, o palco das
Escolíadas.

O
projeto em pouco se assemelha àquilo que hoje são as Escolíadas Glicínias
Plaza.

As
Escolíadas cresceram muito. De ano para ano acontecia a mudança. Em 1997
conseguiram o reconhecimento do estado, recebendo a Declaração de Manifeste
Interesse Cultural do Ministério da Cultura, e abriram-se as portas para os
apoios do Instituto Português do Desporto e Juventude.

Em
2008, já em salas de espetáculo, com escolas de três distritos da Região Centro
e com uma média de 3000 jovens participantes por ano, a Associação Escolíadas –
criada para suportar o evento e expandir as outras atividades que iam surgindo
– viu-se sem meios para garantir a continuidade do evento.

Dificuldades
ultrapassadas, e eis que em 2014 conseguimos alargar o concurso a 3 polos e
recebemos a distinção de “Iniciativa de Elevado Potencial de Empreendedorismo
Social”.
Vamos
para 2015 com o nosso record de escolas participantes – 28 escolas de 16
concelhos de 3 distritos da região centro, três polos, cinco salas de
espetáculo, 14 dias de espetáculo com mais de 300 jovens em palco/dia.

Hoje
somos obrigados a comunicar-vos que não podemos continuar com este projeto.

Saímos
de 2014 com 2.500 € de prejuízo e avançámos para 2015 com a perspetiva de
acumularmos mais 3.000 € de prejuízo.
Procurámos
e procuramos em todas as direções algum tipo de apoio. Não conseguimos chegar a
mais nenhum sítio.

Em
Janeiro deste ano comunicamos com todas as entidades governamentais que
julgamos terem responsabilidades na educação e formação dos jovens pedindo-lhes
apoio, informando de forma clara que caso não conseguíssemos encontrar mais
financiamento as Escolíadas iriam terminar porque não podíamos continuar a
acumular dívidas. Pedimos-lhe que nos abrissem portas a apoios financeiros, não
necessariamente públicos, mas que pelo menos fizessem a ponte entre o projeto
Escolíadas e empresas/fundações/parceiros eventuais interessados no projeto.
Até hoje não conseguimos absolutamente nada.

Não
somos subsídio-dependentes, nem pretendemos sê-lo. Conseguimos produzir um
evento há anos recebendo do estado verbas que nunca chegaram a representar 10%
do orçamento.

 Em 2014 e 2015 a única entidade governamental
que nos apoia financeiramente é o Instituto Português do Desporto e Juventude
com uma verba que representa 7% do custo do evento, sendo que em 2015 foi-nos
atribuída uma verba inferior a 2014. Estamos a falar em cerca de 4200€ para um
projeto que custa 76000€.

Não
entendemos como todas as entidades governamentais contactadas não investem e
deixam acabar um projeto destes, mas essa é a nossa realidade. E, se este
projeto não faz sentido para o Estado então não temos como continuar com ele.

Nesta
altura do ano teríamos já calendário para 2016 fechado, salas agendadas e
atividades e orçamentos previstos. Este ano não temos nada. E por isso esta
informação segue agora. Estivemos até ao último momento à espera de uma
resposta positiva que não houve.


nos resta agradecer-vos – jovens, escolas, autarquias, parceiros por todo o
apoio e por tanto que nos têm dado. Nada é mais gratificante do que vermos nos
jovens e nas zonas onde atuamos a mudança, a transformação, a procura por
oferta artística e cultural, o risco corrido em pisar palcos e querer saber e
estudar mais, a criação de novas associações, companhias, bandas, escolas
artísticas. Sentimos que da nossa parte a missão foi cumprida.

Este
projeto nunca foi apenas da Associação. Este projeto foi e é de todos e para
todos.

A
todos, muito obrigado por 25 anos gratificantes.

Entidades
contactadas: Secretaria de Estado da Cultura, Gabinete do Sr. Ministro da
Educação, Direção-Geral das Artes, Direção-Geral da Educação, Direção-Geral dos
Estabelecimentos de Ensino e Instituto Português do Desporto e Juventude.
Quem
quiser ajudar, pode assinar uma petição online, que foi criada pelas 28
Escolas…
http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT77255

Gonçalo Barata