A venda da TAP e os problemas da Direita

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Cresce,
nas hostes da actual maioria, a constante necessidade de relembrar a tudo e a
todos que esta privatização é benéfica e necessária. Confesso ser incapaz de
refutar a argumentação mordaz que embeleza o texto, ou melhor, seria incapaz,
se o quisesse fazer. Coisa que não quero.
Vamos
avivar um pouco a memória de todos nós: a privatização da TAP não é uma coisa
nova. Aliás, este próprio governo já esteve bem perto de a fechar em 2012.
Mas
vamos um pouco mais atrás: Já se fala da privatização da TAP desde o ano 2000,
estava no governo António Guterres. Na altura houve uma proposta de 156 Milhões
de euros por 34% da TAP do grupo que controlava a Swissair. Norberto Pilar, na
altura presidente da TAP, assegurava que “com este negócio a viabilidade
da TAP está assegurada”. Aconteceu que a própria Swissair teve problemas
financeiros que a impediram de concretizar o negócio e ficou tudo na mesma.
Durante
o governo de Sócrates a privatização não avançou, apesar de ainda ter feito
correr alguma tinta. Vale a pena mencionar, no entanto, que a TAP deu lucro em
2006 e 2007, fruto de um contrato de gestão com o governo. O problema é que
este tipo de resultados só foi possível devido aos cortes feitos aos
trabalhadores da empresa e foi aí que começou o rodízio de greves a que hoje já
nos vamos habituando.
Já com
Pedro Passos Coelho no governo, parecia que era desta que as coisas iam correr
bem. Lufthansa, IAG, Turkish Airways, Qatar Airways e outros grandes grupos
estavam de olho na TAP. Infelizmente, foi também por esta altura que se deu o
investimento ruinoso na Groundforce e na TAP Manutenção Brasil e isto foi o que
afastou de vez todas as grandes companhias.
A única
proposta que restou foi a da Synergy Aerospace, liderada por Germán Efromovich
e na altura falava-se de uma proposta entre 20 a 35 Milhões de euros, mais o
assumir da totalidade da dívida e a injecção de 300 Milhões na empresa.
Proposta essa que nunca chegou a ver a luz do dia.
Ora
bem, as contas parecem bastante simples. Se em 2000 o governo tinha uma proposta
de 156 milhões por 34%, se em 2012 se falou de uma proposta que podia ir até 35
milhões para o Estado, mas assumindo a totalidade da empresa e dos seus
encargos e se hoje nos temos de contentar com 10 milhões por 61% das acções,
com um investimento total na empresa de cerca de 350 milhões, o que podemos
daqui depreender?
Que
esta não é a altura certa para proceder à venda da TAP.
Em
primeiro lugar, vamos repor algumas verdades: a dívida da TAP não está a ser
paga pelos contribuintes. A dívida está e continuará a ser paga pelos
cash-flows da empresa, como tem sido feito até agora.
Depois,
o problema da esquerda não é com a venda da TAP em si, é sim com a forma
atabalhoada como está a ser conduzida. Nunca houve um plano de reestruturação,
nunca houve diálogo com os trabalhadores, não houve um controlo e muito menos
uma responsabilização da gestão pelo descalabro por terras brasileiras e como
se isto não bastasse, a privatização foi deliberadamente acelerada para estar
completa antes das eleições, mais uma daquelas coisas que hoje é classificado
de “mito urbano”…
Isto
seria quase cómico, se não fosse extremamente grave!

Para os
interessados em saber mais, aconselho este e este artigo.



Rui Sancho

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