SANTOS POPULARES – Penacova quer manter vivos festejos de Santo António

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É o primeiro dos santos
populares, celebrado, por tradição, com arraiais, sardinha assada, marchas e
manjericos. Uma tradição com largos anos em Penacova, mas que “vacilou”, devido
à falta de voluntários para a organização. De tal forma que durante três anos
se fez “silêncio” e Penacova não festejou Santo António. No ano passado, a
Santa Casa da Misericórdia deitou mãos à obra e chamou a si a organização,
permitindo recuperar a festa. Este ano o padre Laudo (que até já se despediu da
paróquia) não quis deixar as festas ao “desamparo” e tomou a decisão de nomear
uma comissão, garantindo, assim, que a festa volte a cumprir-se.

São cinco os elementos desta
comissão – constituída por Eugénio Craveiro (presidente, actualmente acamado
devido a um problema de saúde), Rui Martins (tesoureiro), António Ministro,
José Alberto Costa e António Matos (secretários) – que, nos últimos tempos,
«aos bocados», «conforme podemos», se têm empenhado em “dar um arranjo” à capela
e ao coreto para receber a festa. «A capela de Santo António é das mais antigas
de Penacova», sublinha José Alberto Costa, adiantando que «foi toda pintada»,
«os bancos arranjados» e «tapadas algumas fissuras» nas paredes, trabalho este
desenvolvido pelo presidente da comissão, pedreiro reformado. Também o coreto,
«que estava todo sujo» foi pintado, num trabalho feito «aos poucos», pelo
“grupo dos cinco”, que ontem à tarde se empenhava arduamente em acabar a
montagem do palco e das mesas, destinadas aos “comes e bebes”.

Neste registo convém sublinhar
que não vai faltar, na noite de sexta e sábado, sardinha assada, febras,
bifanas e caldo verde. Um desafio gastronómico para o qual a comissão conta com
o «extraordinário apoio da Santa Casa da Misericórdia de Penacova, que nos
ajuda, também no bar e na quermesse», diz José Alberto Costa. Lembra, de resto,
que o grupo conseguiu «arranjar mais de mil prémios para a quermesse» e foram
os «elementos da Santa Casa que fizeram as rifas». Em ternos de apoio, a comissão
destaca, também, a Junta de Freguesia e os Bombeiros de Penacova.

O programa das festas começa
amanhã, embora desde o dia 1 que se celebre, todos os dias, na Capela de Santo
António, a trezena, sempre às 20h30. O arraial abre, com música gravada, às
16h00 e às 20h00 começa a quermesse, enquanto o baile tem início às 22h30, com
o conjunto Original. Sábado a música começa a ouvir-se às 9h00 e uma hora
depois assiste-se à tradicional “volta à vila” com os gaiteiros Flora do
Mondego. A quermesse abre às 19h00 e a partir das 22h30 há baile, com o
conjunto Aba. Sábado é, também, dia de marchas populares, uma organização do
município de Penacova, no Largo Alberto Leitão, onde desfilam as marchas da
APPACDM de Figueira de Lorvão, da Associação Recreativa e Cultural de Travanca
do Mondego, do Centro de Bem Estar Social da Freguesia de Figueira de Lorvão e
a do Mocidade Futebol Clube, de Cheira.

Domingo é o “dia D” dos festejos
em honra de Santo António, com a realização das cerimónias religiosas. A quermesse
abre às 14h00 e meia hora depois chega a Filarmónica da Casa do Povo de
Penacova, que acompanha a missa (15h00), bem como a procissão, que percorre as
principais ruas da vila. No final há concerto pela filarmónica e para as 18h00
está marcada a venda das fogaças e das oferendas. Segue-se a actuação do Rancho
Folclórico de Penacova e as festejos encerram por volta das 20/21h00.



Reza a tradição que a população
contribuía para a festa e uma das dádivas consistia no afamado fumeiro. Fiel
aos costumes ancestrais, a comissão entendeu que se devia manter o registo e,
por isso mesmo, «mandámos fazer paios e salpicões» para leiloar, explica José
Alberto Costa. Além dos enchidos, em leilão vai estar, pelo menos, uma fogaça,
ou seja, um cesto ou tabuleiro recheado com um verdadeiro banquete. Garantida
estava, ontem, «pelo menos uma fogaça, oferta do restaurante O Côta».
Entusiasmo não falta ao grupo dos “cinco magníficos”, responsáveis pela
organização da festa. «Para o ano, além da comissão, já pensámos arranjar,
também, mordomos». Importante, acima de tudo, «é retomar, definitivamente, a
tradição e não deixar morrer as festas de Santo António», remata José Alberto
Costa.