5 anos depois – A Perca de um Astro Maior

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Os
exames eram os que são hoje, o mundial 2010 continuava, os hospitais já tinham
problemas com o tempo de espera, o Ministério da Cultura ainda existia, as
SCUTS não, o G20 reunia-se e a pobreza aumentava, mas, nesta segunda quinzena
de Junho de 2010, uma notícia maior caiu em Portugal: Saramago morreu.

Aos
88 anos, a 18 de Junho de 2010, desaparecia o homem que um dia decidiu, com
grande convicção e assertividade não procurar emprego e escrever, apenas.

Saramago
morreu. Lembro-me de ouvir no rádio do autocarro e pensar que tinha ouvido mal,
de estar a chegar às aulas e perguntar, mas ninguém saber (os smartphones ainda
não existiam aos tropeções). Então, chegou o professor com um ar cabisbaixo e
confirmou a notícia. Estava triste e nem era português, mas o homem que morreu
não era só de Portugal, nem era do Mundo, era Mundial.

Se
houvesse um orçamento para aquilo que é imaterial, tenho a certeza que naquele
ano ia bater tudo mal, porque esta foi uma perca que ninguém previu e ninguém
consegue quantificar.


quem invente que Saramago é complicado. Não. Saramago é simples, fala como
falamos no dia-a-dia, sem pontuação, sem maiúsculas, travessões e dois pontos.
Escreve falado, como fazemos nas redes sociais e tinha tanto para dizer que não
podia perder tempo a fazer tudo como mandam as normas da escrita. Além do mais,
se Elvis nunca tivesse quebrado as normas da composição musical, nunca
poderíamos ouvir rock. Saramago é simples e não simplório e merece toda a
atenção, não por ter recebido um prémio nobel, mas sim por ser genial na forma
como observa o mundo e muito em especial Portugal e a Religião.

E
se falamos de Portugal, Religião e Saramago, não podemos esquecer daquele momento
lamentável em que devolvemos poder ao homem que o censurou e “expulsou” deste
Portugal e se recusou, já como Presidente da República, a ir ao funeral do
primeiro nobel da literatura e segundo de todos os tempos nascido em Portugal.
Devia ser expulso e levado a tribunal por ofensa à pátria, e mais não digo.

Leiam
José Saramago. Se não se entendem com ele, tentem outro livro, são tantos, tão
bons e tão maiores… leiam Saramago.