CIÊNCIA VIVA – O céu de Julho de 2015

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Num mês com Lua Cheia em dose dupla, podemos
iniciar as nossas atividades astronómicas logo na madrugada de dia 2,
observando Lua Cheia junto à constelação do Sagitário.
No dia 5, a Terra atinge o ponto da sua
orbita mais afastada do Sol, o afélio, distando do Sol mais 3,4% do que aquando
do periélio (ponto da orbita de maior proximidade ao Sol). Assim,
comparativamente a esse instante, a Terra recebe menos 6,5% energia solar. Mas
no hemisfério Norte tal é largamente compensado pelo facto de, por esta altura,
ele estar voltado na direção do Sol.

Também no dia 5, Plutão encontrar-se-á na
direção diametralmente oposta à do Sol, isto é, em oposição. Apesar de uma
maior aproximação à Terra, Plutão continuará a não ser visível mesmo com telescópios
de pequena dimensão. Esta efeméride ocorre poucos dias antes da passagem da
sonda New Horizons (da NASA) a cerca de 10000km de Plutão, prevista para o dia
14.
O quarto minguante terá lugar pouco depois do
pôr-do-sol de dia 8, mas só o iremos ver quando a Lua nascer pela uma hora da
madrugada seguinte ao pé da constelação dos Peixes.
Ao início da noite de dia 12, a Lua já terá
passado à beira da estrela Aldebarã, o olho da constelação do Touro. Nalguns
pontos do nordeste asiático será mesmo possível ver a Lua passar à frente desta
estrela.
A Lua Nova dar-se-á na madrugada de dia 16.
Igualmente neste dia, Mercúrio atinge o seu periélio. Por estes dias, tanto
Mercúrio como Marte (que está ao seu lado) nascem pouco antes que o Sol, não
sendo uma boa altura para observá-los.

Ao início da noite de dia 18, iremos
encontrar a Lua na direção de Júpiter, Vénus e da estrela Régulo, o
“coração” da constelação do Leão. Aliás a Lua vai passar tão
“perto” de Vénus que algumas regiões do sul do Oceano Pacífico irão
assistir à ocultação deste planeta.
O quarto crescente terá lugar na madrugada de
dia 24, com a constelação da Virgem como pano de fundo. Dois dias depois, a Lua
já estará à beira de Saturno, que por estes dias se encontra junto à
constelação de Balança, pondo-se pela uma hora e meia da madrugada.
O pico de atividade da chuva de estrelas
delta Aquaridas é esperado para dia 28. O seu nome deve-se a que estes meteoros
parecem surgir da vizinhança da estrela delta da constelação do Aquário.
Trata-se de um evento modesto que, mesmo em condições ideais, não deverá
superar os 16 meteoros por hora.
Este mês termina com uma nova Lua Cheia.
Devido ao movimento da terra em torno do Sol, a Lua Cheia de dia 31 dar-se-á na
constelação do Capricórnio. Este movimento de translação é igualmente
responsável pela aparente deslocação do Sol para leste vista ao longo do ano.
Nos países anglófonos a segunda Lua Cheia do
mês é chamada de Blue Moon (Lua Azul). Por se tratar de um evento pouco comum
(a próxima terá lugar em Janeiro de 2018) nestes países deu origem à expressão
“Once in a blue moon”, que numa tradução mais livre pode ser visto
como “uma vez a cada Lua Azul”
Boas observações!
Fernando J. G. Pinheiro (CITEUC)
Ciência na Imprensa Regional – Ciência Viva

Legendas
das Figuras:
Figura 1: Céu a sul pelas 2 horas da madrugada
de dia 2. Igualmente são visíveis a posição da Lua nas madrugadas de dia 26 e
31 e o radiante da chuva de meteoros das delta Aquaridas. (Imagem adaptada de
Stellarium)
Figura 2: Céu a oeste pelas 22 horas da noite
de dia 18. Igualmente é visível a posição da Lua ao início da noite de dia 23. (Imagem
adaptada de Stellarium)