A outra verdade, que (não) vale a pena contar

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Em Penacova, três dos melhores
locais que conheço (ou conhecia) para degustar uma boa refeição são propriedade
do município, a quem cabe zelar pela sua conservação, já que dela depende o seu
bom funcionamento. Todos sabemos que os restaurantes “Panorâmico”, “As Piscinas”
ou a “Pedra do Moinho”, não se encontram abertos ao público porque aqueles que
até há bem pouco tempo os exploravam, não quiseram, ou não puderam, continuar a
desenvolver a sua actividade de restauração o que levou ao seu temporário
encerramento. E digo temporário porque, como seria suposto, bastaria a
intervenção da autarquia para que os ditos restaurantes voltassem a abrir
portas de novo. Mas assim não aconteceu, e como bem sabemos, nem assim poderia
ter acontecido. O menos avisado dos penacovenses, reconhece que, como em
qualquer negócio, quando alguém abandona um espaço que estava a explorar, não
pode e não deve o dono do espaço proceder à sua imediata ocupação, sem que, no mínimo,
tenha que cuidar pela resolução dos aspectos legais inerentes à continuidade da
actividade por parte de outro interessado. Quando, como se não bastasse, quem lá
está e se quer ir embora, é dono do equipamento disponível (e necessário) ao
bom funcionamento do estabelecimento, e não consegue chegar ao um entendimento
com o proprietário do espaço quanto à sua manutenção, optando por retirar tudo
aquilo que fazia funcionar o negócio, está a criar um enorme problema a quem
está interessado em que ele continue, pois obriga-o efectuar todo um conjunto
de procedimentos, que levem a uma futura concessão do espaço, sem correr o
risco de poder vir a ter que enfrentar o mesmo problema.
No caso do restaurante “As
Piscinas”, todos sabemos que o município tentou chegar a um entendimento com
quem se queria ir embora, no sentido de manter todo o equipamento e mobiliário
existentes. Ao não concordar com a proposta o concessionário, deixou o local
completamente devoluto, de forma legítima, porque o município nunca foi
proprietário do equipamento, ficando refém de quem concessionou o espaço e não
cuidando, por isso, de salvaguardar os interesses do município. Neste momento o
restaurante “As Piscinas” está pronto a funcionar, só ainda não aconteceu
devido a problemas com o actual concessionário que se viu a braços com a falta
de crédito para iniciar a actividade, assim obrigando o município, caso o
problema não seja ultrapassado rapidamente, a realizar novo concurso para
exploração do espaço.
No caso do restaurante “Pedra do
Moinho”, na Serra da Atalhada, todos sabemos que enquanto o Grupo de Miro teve interesse
e disponibilidade para explorar o espaço, não houve qualquer problema, já que o
mantinha em condições de ser utilizado, tal como acordado com a autarquia. À semelhança do que aconteceu com o restaurante as “Piscinas”, a partir do
momento em que acabou o interesse em continuar a exploração o estabelecimento,
todo o equipamento necessário ao funcionamento do espaço foi retirado,
impedindo assim que, no imediato, voltasse a funcionar como seria desejável.
No que diz respeito ao
restaurante “Panorâmico”, estamos perante a mesma situação. Quem o explorava
não pretendeu continuar, criando assim um vazio que só terminará quando o espaço
for alvo de uma intervenção que lhe restitua a dignidade pois, como bem
sabemos, neste momento não reúne as condições necessárias ao seu funcionamento
já que tinha inúmeros problemas estruturais cuja resolução se impunha.
Perante esta triste realidade,
não é difícil criticar.
Quem o faz sabe, ou deveria
saber, que as coisas não funcionam como seria desejável e que um simples
contratempo, resulta num atraso insuportável para quem espera.
Quem o faz sabe, ou deveria
saber, que o município é aquele a quem mais interessa o normal funcionamento
dos espaços que administra.
Quem o faz sabe, ou deveria
saber, que qualquer procedimento legal, com vista a resolver uma qualquer
situação, enferma de uma morosidade típica do sistema burocrático que nos rege.
Quem o faz sabe, ou deveria
saber, que o município é pessoa de bem e não lhe interessa, nem é esse o seu objectivo,
prejudicar os seus munícipes.
Quem o faz sabe que a mensagem
que pretende fazer passar, está intimamente ligada, à vontade que tem em
ascender ao mais alto cargo concelhio, e que para isso tem que provar estar à
altura do desafio, e essa prova será mais válida, quando melhor corresponder
aos intentos de quem já lá esteve e está desejoso de para lá voltar.
Quem o faz, sabe onde deve intensificar
a crítica, os aspectos que deve focar e as meias verdades que deve contar, pois
também conhece as vulnerabilidades do sistema e, devido à profissão que exerce,
sabe quais os assuntos que mais preocupam as pessoas e a forma como deve
fazer para os intensificar e apresentar.
O ideal seria que o município não
fosse proprietário dos restaurantes mais emblemáticos do concelho e que a sua
exploração estivesse exclusivamente dependente da vontade de particulares, de
preferência endinheirados, que nunca os encerrariam, independentemente de lucrarem
ou não com o seu funcionamento.
O ideal seria que o IVA não
tivesse aumentado, principalmente para a restauração, que os rendimentos não
tivessem diminuído e com eles a disponibilidade das pessoas para os gastarem em
restaurantes e outras actividades ligadas ao turismo do nosso concelho.
Perante esta triste realidade só
nos resta esperar que os superiores interesses do município, e dos munícipes,
sejam rapidamente resolvidos. Todos sabemos que o tempo já foi de vacas gordas e
que agora não mais teremos a oportunidade de resolver todas estas más questões
herdadas por quem apenas pretendeu resolver uma parte do problema, talvez
pensando que estaria sempre na linha da frente para, à velha maneira, os
solucionar. 
Curiosamente, quem hoje dirige as
mais duras críticas à atuação do executivo municipal na área do turismo, é accionista
da entidade proprietária do mais importante conjunto turístico do concelho e
nem por isso o vejo preocupado em resolver o problema que se arrasta há anos e
que muito tem prejudicado Penacova e o concelho.
Pedro Viseu