Acessibilidade ao nosso património cultural

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Portugal tem um magnífico património cultural
que todos os portugueses deveriam visitar; similarmente, devemos incentivar os
nossos visitantes a apreciá-lo, o que economicamente nos é muito vantajoso.
Contudo, infelizmente, a divulgação, a sinalética rodoviária e a
acessibilidade, são frequentemente desmotivadoras desse desiderato. Assim,
propomos algumas medidas para minimizar os problemas.
Organização de um bem
estruturado portal acessível via internet, abrangendo todos os museus,
monumentos, ruínas romanas, pré-históricas, medievais, ou outras, miradouros,
formações geológicas, festivais culturais (e.g., feiras medievais), etc., de
todo o território nacional.
Cada entrada deve ter,
após o nome, as coordenadas geográficas (como tem o portal do IPPAR, embora o
aqui proposto seja muito mais completo), para introduzir num “aparelho GPS”
(captador dos sinais emitidos pelos satélites do “Global Position System” (GPS)
montado e operado pelos EUA, mas posto à disposição gratuita de todo o mundo).
Esta informação é extremamente importante, pois permite chegar ao local
rapidamente, seja com o GPS, com carta militar, ou mesmo com um bom mapa de
estradas, e também para digitar, e.g., no “Google Earth”, e ter logo a
fotografia aérea, etc., do local, o que é extremamente útil para depois se lá
chegar, mesmo sem GPS.
Depois, deve ter
contactos telefónicos, direção postal, e um pequeno mapa indicativo do local,
ou facilmente localizável num mapa nacional “extensível” (como “nos GPS”) para
todos os locais assinalados neste portal.
Haveria depois 2-3
versões da descrição, suscetíveis de serem lidas no ecrã, descarregadas para
equipamentos eletrónicos (e.g., telemóveis), e servirem de audioguias, só com
som, ou também com imagem. Poderia ser, por exemplo, com versões “curta” (3/5
minutos), “média” (10/15 minutos), e” longa” (30 minutos ou mais), em
português, inglês, etc., Deve ser possível aceder a cada entrada por várias
vias: alfabética, geográfica por concelhos, de N para S, de E para W, por
distância a partir dum dado ponto a digitar, etc. Esta última seria muito útil
para que cada hotel no País pudesse dar aos hóspedes informação sobre o que
visitar à sua volta. Deve ter “links” aos imensos portais locais, regionais, do
IPPAR, Gulbenkian, etc., sobre património.
Todas as informações
turísticas (do Estado, das autarquias, etc.) deveriam ter as “coordenadas GPS”
dos locais indicados.
A sinalética
rodoviária deveria ser muito melhorada. As atuais “setas” de cor castanha de
formato simpático e apelativo (denominadas “Sinalização Turístico-Cultural”),
deveriam progressivamente passar a incluir a distância ao local indicado. É
muito frequente ver-se a seta, mas não se ter ideia nenhuma se estamos a 0.5 km
ou a 5 km. Depois, desde a 1ª seta até ao local, faltam quase sempre muitas
outras setas, por exemplo, em rotundas, ou mesmo junto ao local, mas quando
ainda não óbvio (aqui, a distância na seta, e.g., 0.3 km, seria fundamental
para se parar o carro e procurar a pé). Por exemplo, tive imensa dificuldade em
encontrar a cidade romana Monte Padrão, habitada até ao séc. XI, onde foi bispo
S. Rosendo, e referida nos programas do Sr. Prof. José Hermano Saraiva: ia até
uma capela próxima, onde termina a estradinha rural, mas depois não havia
qualquer indicação para este local de imenso interesse histórico, embora diste
apenas cerca de 300 m da capela! Também deve haver seta na via principal
próxima. Por exemplo, no IP3 (Coimbra – Viseu) deveria haver uma seta no
cruzamento a Penacova – Luso, junto à Espinheira, para o Museu do Moinho, num
topo do monte aí bem perto e com uma magnífica paisagem. Passo aí todas as
semanas há dezenas de anos e nem sabia desse esplêndido museu! A indicação das
“coordenadas GPS” seria muito útil, mesmo que com letra mais pequena.
A sinalética vertical
deve ser progressivamente substituída por horizontal (inscrições no pavimento
como para a “Via Verde”).
Não será
economicamente viável aumentar as horas de abertura das “atracões culturais”
mas, nalguns casos, é viável instituir um sistema que garanta segurança, com
menos pessoal de cada vez (ou mesmo nenhum, e. g., em ruinas), com o auxílio de
telecomunicações (incluindo imagem) para um comando central nacional, aberto
todos os dias das 09h00 às 21h00, que permitisse identificação do visitante e
seguir o seu percurso em vídeo vigilância. As partes sensíveis estariam
resguardadas com materiais transparentes e resistentes a vandalismos (vidro
temperado, laminado, acrílicos, etc., como por exemplo no MNAA (“Janelas
Verdes”), em Persepolis, no Irão, etc..), além de alarmes ligados às Polícias.
Hoje tal é viável e não dispendioso. Evitar-se-ia a enorme frustração (e
prejuízo cultural e económico) de dispensarmos grande esforço para visitar uma
igreja, umas ruinas, etc., e encontrarmos a porta fechada (e.g., Castro
Romariz, S. M. Feira), em dias e horas propícias a visitas.
O Estado deve oferecer
colaboração às empresas que produzem guias e mapas para GPS (e papel). Uma
classificação alfanumérica das “atracões culturais” ajudaria muito (por
exemplo, “t01coipt” para o templo Sé Velha, em Coimbra).
Naturalmente que as
vias de acesso devem permitir a passagem de um automóvel. Por exemplo, tentei
visitar um Forte na costa perto do Cabo da Roca, mas fiquei a 700 m (segundo o
GPS), pois o caminho, já muito mau até aí, tornou-se totalmente intransitável,
embora o Forte tenha muito significado histórico.
Relativamente ao
património cultural constituído por espetáculos (teatros, concertos, etc.),
sugerimos que o Estado organize um portal com todos os espetáculos disponíveis
num dado dia, de tal modo que, via Internet, se saiba o que há disponível para
aquele específico dia, para o concelho em causa, de modo que também rececionistas
de hotéis pudessem rápida e eficientemente aconselhar os seus hóspedes.
Artigo de opinião, originalmente publicado na edição impressa do jornal Público de 19.08.2015

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