MIRO – Onze anos de Cultura e Tradição na Festa da Broa

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A broa e tudo o que envolve a sua
confeção está em destaque, este fim de semana, em Miro, no concelho de
Penacova. São dois dias em que um dos tipos de pão com maior tradição popular e
uma iguaria muito apreciada na gastronomia portuguesa, a broa, está em
destaque. A broa, que dá nome à festa que se realiza pelo 11.º ano consecutivo,
é rainha e permite fazer uma viagem no tempo e conhecer um pouco da história,
cultura e tradições da região e da localidade.

E para se conhecer tudo o que
está associado à broa e à sua confeção nada melhor do que “meter as mãos na
massa”. Esse é, aliás, o convite que é feito para amanhã. Manuel Nogueira,
presidente da direção do Grupo de Solidariedade Social, Desportivo, Cultural e
Recreativo de Miro (GSSDCR Miro) explicou […] que no sábado, a
partir das 10H00, é possível, amassar a massa, tratar do forno de lenha e pô-la
a cozer. “Há vários fornos disponíveis onde as pessoas podem aprender como se
faz uma broa, passando por todo o processo de confeção”, adiantou Manuel
Nogueira. “Dão–se todos os ingredientes necessários para a confeção”, e depois
pode-se adquirir a broa. Para quem quer adquirir broa mas não pretende
trabalhar na sua confeção, há garantia da venda do típico produto (caseiro)
junto de várias habitações. E, para os que queiram fazer o trabalho de campo,
ainda no sábado, é possível tirar a espiga de milho no terreno, levá-la para a
eira e, à noite, realizar a descamisada do milho. Durante a descamisada vai
haver tocata, jeropiga, a descoberta do rei, entre outras iniciativas, que
visam “recriar como se faziam antigamente”, aproximando o máximo do que já foi
outrora.

O fogo que devastou uma grande
mancha florestal do concelho de Penacova não permite que o moinho da serra da Atalhada
trabalhe (as pás ficaram danificadas) e mostre como em tempos idos era feita a
farinha, no entanto, o moinho estará de portas abertas e um moleiro prestará
todas as explicações a quem quiser visitar o local.

Neste dia, e para quem só
pretenda degustar as iguarias típicas da região, há chanfana, torresmos,
bacalhau e outros pratos que ajudam a confortar o estômago.

Teatro, música e animação também no domingo

Domingo é considerado o “dia
forte” desta festa. Cedo está disponível um forno (e não vários como vai
acontecer no sábado) para quem quiser cozer uma bora e “pôr as mãos na massa”.
À hora do almoço, e antes de se iniciar o teatro de rua (cerca das 14H30), há
iguarias típicas que vão estar à venda ao almoço e ao jantar, à semelhança do
que sucedeu na véspera. No teatro de rua será possível conhecer (mais) um pouco
da história de Miro. Isto porque além das lides, dos pregões e do mal dizer, as
ruas vão também receber meninos com sacola da escola que quando avistarem a
professora iniciam uma fuga. Tudo porque o lugar conheceu uma professora “que
vivia na escola e ao domingo quando visse um menino a brincar punha-o de
castigo na escola”, recorda Manuel Nogueira.

O teatro, as bancas de rua a vender produtos vão estar
“acompanhados” pelas atuações dos grupos folclóricos de Chelo, S. Pedro de Alva
e Carvalho (Vila Nova de Poiares), garantindo um colorido e animação
diferentes. Na 11.ª edição da Festa da Broa, Licores, Compotas, Plantas
Aromáticas e Artesanato, há muito para conhecer, provar e apreciar em Miro, em
dois dias que prometem igualmente muita animação. 

Rute Melo – Diário As Beiras