INVESTIGAÇÃO – Equipa da UC identifica novos ‘sinalizadores’ do Alzheimer

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Uma equipa de investigadores
do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) e da Faculdade de Medicina
da Universidade de Coimbra (FMUC), liderada por Ana Cristina Rego, descobriu ‘sinalizadores’
biológicos sem células sanguíneas que poderão alertar precocemente para o
surgimento da doença de Alzheimer
.

Antes do aparecimento da
doença de Alzheimer ocorre a formação de radicais livres, moléculas que poderão
conduzir à morte dos neurónios nesta doença. A investigação realizada mostra
que os radicais livres ativam um ‘sinalizador’ biológico – uma proteína,
designada Nrf2, que tem como função proteger as células dos radicais livres.
«A sinalização da proteína é mais evidente quando surgem as primeiras
queixas de memória, numa etapa inicial da doença de Alzheimer. Para além disso,
nesta fase aumenta a sinalização de ‘moléculas de stresse’ no ‘retículo
endoplasmático’, um organelo celular com várias funções, nomeadamente na
síntese de novas proteínas e nos processos de destoxificação celular
»,
explica a coordenadora do estudo já publicado na revista Biochimica et
Biophysica Acta (BBA)- Molecular Basis of Disease.
O período que antecede a
doença de Alzheimer trabalhado neste estudo, designado por Défice Cognitivo
Ligeiro (DCL), situa-se entre os indivíduos cognitivamente saudáveis e os
doentes com Alzheimer provável. Cerca de 10 a 20% das pessoas acima dos 65 anos
de idade encontram-se nesta fase intermédia de DCL, e aproximadamente 15% irão
progredir para um estado de demência anualmente.
Ana Cristina Rego salienta
que «as alterações que ocorrem em
indivíduos com DCL podem ser cruciais para se compreender o início dos
processos de disfunção celular e morte neuronal na doença de Alzheimer, e
auxiliar no desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas capazes de
impedir a progressão da doença.
»
O trabalho experimental foi
realizado em células do sangue humano, obtidas de pacientes com diferentes
graus da doença e de pessoas saudáveis, para efeitos de comparação. Os
investigadores utilizaram ainda amostras do córtex cerebral e células
sanguíneas de um ratinho geneticamente modificado.
O estudo decorreu em estreita
colaboração com investigadores de outro grupo do CNC e da FMUC, liderado por
Cláudia Pereira, e com Isabel Santana, do serviço de neurologia do Centro
Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) e da FMUC.