Mata do Bussaco: ainda a memória de Francisco António natural do Cerquedo

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Como se recordarão, falámos há poucos dias de Francisco António, o “servente do mosteiro que sobreviveu para lá do fim”. 
Para lá do fim… da Batalha, é
verdade. Mas falta saber a que outro fim  se referiria o autor da obra “Bussaco: a Batalha
e o Convento”.
Sobrevivente aos acontecimentos
daqueles dias, Francisco teria doze anos e tinha a missão de tomar conta da
despensa e da adega. As hortas, as vinhas, o milho, os feijões, não precisavam
de guarda. Tudo fora devastado.
No dia um de Outubro, manhã cedo,
chegam alguns franceses à Vacariça e ao meio dia há um pequeno grupo que ainda
procura o armazém de víveres dos ingleses na cerca do Convento. No dia
seguinte, outro grupo de franceses voltou a aparecer. Mas, depois disso, mais
nenhum marcou presença por lá, a não ser algum ferido (entre muitos) em tratamento
na Capela das Almas. Espalhado entre Avelãs, Famalicão, Mealhada, Casal Comba,
Carquejo e Botão, Massena acabava de contornar a serra por Boialvo e
estabelecer o seu quartel general na Mealhada ao mesmo tempo que Coimbra acaba
por ser saqueada…
A vida continuou no Convento mas
com grandes dificuldades. Os estragos foram muitos e a abertura da mata
permitiu o acesso a pessoas estranhas à vida do Cenóbio até que chegou o ano de
1834 e foram extintas as Ordens Religiosas, passando os bens das mesmas para as
mãos do Estado.  A Cerca só por milagre não
foi vendida a terceiros passado pouco tempo, porque dois ou três frades e
Francisco António resolveram ficar até ao fim. Sabe-se que ainda em 1864  Francisco era sacristão, cicerone e guardião
da Mata. O seu zelo terá mesmo sido reconhecido em escritos da época.
Francisco António, natural do
Cerquedo, “O primeiro leigo conhecido que amou o Bussaco desinteressadamente”…
mesmo para lá do fim…da Batalha…e do Convento.

David Almeida
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Notas
1. Antigo convento dos Carmelitas Descalços [imagem recolhida em bussaco.blogs.sapo.pt]
2.Há que referir mais uma vez
que estes nossos textos são baseados, por vezes usando as suas palavras, no
livro de Francisco Ferraz Silva