Testando os limites do ridículo

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O
défice público do ano passado foi esta quarta-feira revisto para 7,2% do PIB,
devido à contabilização dos 4900 milhões de euros usados para capitalizar o
Novo Banco. Uma derrapagem de 2,7 pontos percentuais face aos 4,5% estimados em
Abril segundo o Instituto Nacional de Estatística.
Passos
Coelho e o seu Governo foram rápidos a dizer que esta revisão “não terá nenhum
efeito na vida das pessoas”, que se trata de um “efeito meramente estatístico”
e acrescentou que, na verdade isto é bom porque os juros estão a render, visto
que o banco não foi nacionalizado e o dinheiro foi emprestado ao fundo de
resolução (composto em 3900 milhões de euros por dinheiros públicos).
Sem
solução à vista no processo de venda do Novo Banco (nenhum possível comprador
vai tomar uma decisão antes da divulgação dos resultados dos testes de stress
que o Banco Central Europeu realizou no Novo Banco, agendada para Novembro), será
que estamos assim tão seguros quanto Passos Coelho nos quer assegurar?
Não. A situação é absolutamente caótica.

A
venda do Novo Banco está prevista para Agosto de 2016. Até lá, caberá ao Estado
suportar a dívida do fundo de resolução na sua maioria, bem como proceder a
injecções de capital caso o BCE o considere necessário.
E não é tudo.

Segundo
uma análise da Société Générale, a receita de uma futura venda não ultrapassará
os dois mil milhões de euros, o que deixaria um buraco de 2900 milhões de
euros para resolver. Para piorar este cenário, os últimos resultados
semestrais do Novo Banco a que consegui aceder indicam prejuízos de 252
milhões de euros… A tendência é para que as propostas de aquisição sejam cada
vez mais baixas, o que vai resultar em défice para o Estado.
A
dias das legislativas, percebemos que os últimos quatro anos de austeridade, a
destruição do Estado Social, os atropelos ao Constitucional e o desemprego
foram para nada. O défice voltou aos níveis de 2011 e com ele a “ameaça” do
incumprimento das metas estabelecidas por Bruxelas.
Rui Sancho