Uma voz por Coimbra e pelo país

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Coimbra
é o país. Os efeitos destruidores da economia e da sociedade provocados pela
austeridade, pela receita do empobrecimento, a realidade do desemprego, da
precariedade e da emigração não são coisas longínquas, num país fora daqui. São
o nosso dia a dia em Mira, em Penela, em Penacova, em Soure, em Coimbra, em
todo o distrito.
É aqui,
à nossa beira, que está o país mirrado pelas políticas de empobrecimento, de
retirada de direitos essenciais às pessoas – sobretudo às mais pobres – e de
desqualificação dos meios para o exercício concreto desses direitos. Não é
tolerável que continuemos todos a pagar milhões pelo cambalacho do BPN enquanto
num concelho como Oliveira do Hospital há 13.000 pessoas sem médico de família.
Não é tolerável que se corte nas pensões ou nos salários para pagar as rendas
milionárias das parcerias público-privado, enquanto a A13 termina no meio de
nada junto a Condeixa. Lutar por um país diferente, em que a prioridade do
Governo seja o Serviço Nacional de Saúde ou a escola para todos e não a
salvação de bancos geridos por gangues financeiros, é algo que tem que ter
lugar no nosso distrito. E para isso são precisas vozes que ponham o distrito
acima das engenharias de concelhias e distritais partidárias, que não hesitem,
seja qual for a cor política do Governo, na defesa da solução ferroviária a que
têm lugar as pessoas de Coimbra, de Miranda do Corvo e da Lousã e não hesitem
na denúncia da humilhação de Coimbra e das suas gentes pelo cancelamento do
prometido metro ligeiro de superfície depois de anos de administrações que
administraram apenas o vazio, com custos obscenos para o erário público.
Isto
dito, deixem-me fazer-vos uma pergunta: face ao estado a que os sucessivos
governos do centro e da direita conduziram o país que está aqui no nosso
distrito, faz algum sentido manter a representação de Coimbra no parlamento
como um exclusivo de PS, PSD e CDS? Einstein terá escrito que ‘loucura é
continuar a fazer sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes’. A
rutura com as políticas de desordenamento do território e de punição das
pessoas mais frágeis não será feita pelos seus adeptos fervorosos nem pelos que
acham que é tudo uma questão de grau. Não serão esses que, no parlamento, se
baterão por uma renegociação da dívida que dê à nossa economia condições de
respirar e de crescer; não serão esses que se baterão por uma revolução fiscal
que acabe com a punição do trabalho, que tribute as transações bolsistas,
diminua o IVA da restauração, da eletricidade doméstica ou do gás e elimine a
sobretaxa do IRS; e não serão seguramente esses que se baterão para que, custe
o que custar, sejam devolvidos os rendimentos cortados pelas políticas de
austeridade, desde os salários dos funcionários públicos às prestações sociais
para os mais pobres.
Sei,
por experiência própria, a importância de uma voz do Bloco de Esquerda que represente
assim Coimbra no parlamento. É tempo de voltarmos a ter essa voz.
José Manuel Pureza