BUSSACO – Recriação da batalha levou milhares de pessoas à mata

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Uma verdadeira romaria do povo à
Mata do Buçaco, com milhares de pessoas a fazerem-se transportar de automóvel
durante a manhã de ontem, dá bem a dimensão do que foi a recriação que
assinalou os 205 anos da Batalha do Buçaco. A ocasião foi aproveitada por
muitos para fazer piqueniques sob a vegetação frondosa de árvores centenárias.
Quanto à recriação da própria
batalha – uma das mais importantes das Invasões Franceses em solo português –
terá sido igualmente das maiores realizadas até hoje, não ultrapassando,
contudo, a que ocorreu, no mesmo local, há cinco anos, aquando do bicentenário
das invasões napoleónicas.
Impressionou a potência dos
estampidos dos canhões e baionetas, com as tropas luso-britânicas a rechaçar o
exército francês, com o apoio do povo.
Dezenas de “soldados” espanhóis e ingleses

Participaram cerca de centena e
meia de figurantes (muitos deles das designadas Associações Napoleónicas de
Espanha e Inglaterra), para os quais esta atividade é, em muitos casos, a sua
principal ocupação profissional. Fardaram a rigor e com armamento da época.
A poucos metros, o público
assistiu ao desenrolar dos acontecimentos nas Portas de Sula, no alto da serra,
logo após o final das habituais cerimónias militares e protocolares do Exército
Português, presididas pelo vice-Chefe do Estado Maior do Exército, o tenente-general,
Pereira Agostinho.
Exército e autarquias colaboraram na organização das cerimónias

O Exército Português fez-se
representar ao mais alto nível nas cerimónias de ontem na Serra do Buçaco. O
n.º 2 da hierarquia, Pereira Agostinho, explicou que a instituição integra uma
Direção de História e Cultura Militar responsável por estabelecer parcerias com
outras entidades – de forma a realizar recriações históricas – mas também
normas de funcionamento dos museus militares (incluindo o que existe no
Buçaco), inventariação de património e estudos heráldicos.
O militar adiantou que “não sendo
a principal missão do Exército, fazê-mo-lo com muito gosto e contatando que a
população se revê nestas iniciativas”.
Pereira Agostinho acrescentou
que, embora nem sempre haja recriação da Batalha do Buçaco, “todos os anos
assinalamos a memória desta data, em homenagem aos que tombaram em defesa da
independência nacional”.
Por outro lado, o presidente do
município da Mealhada, Rui Marqueiro, reconheceu o valor histórico da batalha
ontem celebrada, “mas também temos que ver o aspeto turístico”, acrescentando
que a organização foi conjunta com as autarquias de Mortágua e Penacova. Neste
contexto, o autarca admite que em próximas celebrações, os dois restantes
concelhos também venham a ser palco de atividades relacionadas com eventos
deste tipo, num trabalho conjunto de colaboradores das três edilidades.
Ladeado pelos respetivos
autarcas, Rui Marqueiro considerou que o trabalho conjunto foi “um êxito
absoluto, em que os funcionários foram inexcedíveis”. Quanto a investimentos na
recriação histórica, Rui Marqueiro afirmou que “vale a pena quando a alma não é
pequena”, assumindo, por exemplo, a despesas de alojamento dos elementos das
associações napoleónicas.