CIÊNCIA VIVA – O céu de outubro de 2015

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Neste mês, os planetas estarão
(quase) todos visíveis ao amanhecer, com Vénus (a “híper estrela”), Marte,
Júpiter (a “super estrela”), e até por tempo limitado Mercúrio, visíveis antes
do Sol se levantar. Ao longo do mês será ainda possível observar uma autêntica
“dança” dos planetas, com Júpiter a afastar-se do Sol, passando primeiro por
Marte e depois por Vénus, planeta que entretanto já parou de se afastar do Sol,
começando novamente a aproximar-se do astro-rei.
O céu de outubro começa por nos
reservar uma Lua em Quarto Minguante, no dia 4, com o nosso satélite a passar a
apenas 1 grau de Vénus na madrugada do dia 8.
No amanhecer do dia seguinte
serão quatro os objetos do Sistema Solar “empacotados” na constelação de Leão.
Júpiter, Marte, a Lua e Vénus estarão dispostos quase em linha reta, com os
dois das pontas (Júpiter e Vénus) separados por pouco mais de 12 graus (aproximadamente
um punho fechado, à distância de um braço esticado).
O amanhecer do dia 9 é também a
altura do máximo da chuva de estrelas das Dracónidas, mas sendo uma chuva pouco
intensa (embora tenha alguns surtos de maior intensidade), provavelmente não
valerá a pena ficarem acordados de propósito para vislumbrar apenas um ou outro
meteoro.
Dia 10, a Lua passará a 3 graus
de Júpiter, e dia 11 a apenas 1 grau de Mercúrio. A Lua Nova ocorrerá no dia
13.
Dia 16, virados a Sudoeste ao anoitecer e separados
por 3 graus, encontrarão a Lua e o único dos planetas visíveis a olho nu que
não está visível de madrugada – Saturno.
Dia 17 ocorrerá o primeiro encontro cósmico do mês,
com a conjunção (ponto de maior aproximação) entre Marte e Júpiter, com os dois
separados por apenas meio grau.
Dia 20 a Lua estará em crescente,
e dia 23, Júpiter estará mesmo a meio entre Marte e Vénus, com estes dois
últimos separados por apenas 5 graus.
Dia 25 muda da hora, altura em
que saímos do horário de verão e voltamos ao verdadeiro horário solar. Por
isso, não se esqueçam de, às 2 da manhã (em Portugal Continental e na Madeira),
atrasar os relógios uma hora. Como sempre, no Arquipélago dos Açores a mudança
é feita à 1 da manhã (que passa a ser meia-noite).
Devido a esta mudança, no dia 24
o Sol, no Porto, nasce às 7:56, e no dia seguinte às 6:57. A diferença é de
apenas 1 minuto (menos uma hora).
O segundo encontro cósmico do mês
será entre o segundo e terceiro objetos mais brilhantes do céu noturno. A
conjunção de Júpiter e Vénus ocorrerá no dia 26, altura em que os dois planetas
passarão a apenas 1 grau um do outro.
Finalmente, quase a terminar
outubro, a Lua Cheia, redonda “como um queijo” ocorrerá no dia 27.
Boas observações.
Ricardo Cardoso Reis (Planetário do Porto e Instituto de Astrofísica e
Ciências do Espaço) Ciência na Imprensa Regional – Ciência Viva


Fig1: O céu virado a Este, às 6
da manhã do dia 9 de outubro 2015. Quase em linha reta, estão respetivamente
Júpiter (mais abaixo), Marte, a Lua num fino minguante, e Vénus. Um pouco mais
à esquerda de Vénus está ainda a estrela Regulus (Alfa Leo), a mais brilhante
da constelação do Leão. (Imagem: Ricardo Cardoso Reis /Stellarium)
Fig2: O céu virado a Sudoeste,
por volta das 19:30 do dia 16 de outubro 2015. Saturno, e a Lua num fino
crescente, estarão separados por 3 graus. (Imagem: Ricardo Cardoso Reis
/Stellarium)