JUSTIÇA – Suspeitos do homicídio de casal da Lousã começam a ser julgados na segunda-feira

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Os dois acusados de
homicídio qualificado de um casal de ourives da Lousã, distrito de Coimbra, em
2014, começam a ser julgados na segunda-feira, no Tribunal da Lousã.
Um mecânico de 33 anos e um desempregado de 23 anos, ambos de Penacova,
estão acusados pelo Ministério Público (MP) de dois crimes de homicídio
qualificado, um crime de furto qualificado, um de roubo agravado, dois crimes
de detenção de arma proibida e dois crimes de branqueamento.
Para além dos dois suspeitos do homicídio do casal de 56 e 55 anos, a 25 de
junho de 2014, em Foz de Arouce, Lousã, estão também constituídos como arguidos
a namorada de um dos suspeitos, feirante de profissão, por roubo agravado e
dois crimes de branqueamento, uma estudante de 24 anos de Penacova por roubo
agravado e um retalhista de ourivesaria de Coimbra por três crimes de
recetação.
Segundo o despacho de acusação do MP, os dois arguidos, através de
informações transmitidas pela namorada de um deles, decidiram em janeiro de
2014 apoderar-se do ouro do ourives, que morava em Foz de Arouce.
Depois de um primeiro furto a fevereiro de 2014, no qual se apoderaram de
vários objetos em ouro e prata, alguns relógios e uma pistola de calibre 6,35
milímetros, decidiram voltar à casa do ourives para roubarem o ouro que se encontraria
na carrinha que o ourives usava para as feiras.
Os dois suspeitos, juntamente com a jovem feirante, “começaram a
planear a ação”, sendo que a namorada de um deles juntamente com uma jovem
estudante também de Penacova começaram a fazer vigilância à casa, confirmando
que o ourives guardava a carrinha com o ouro na sua garagem.
Por volta das 04:00 de 25 de junho de 2014, os quatro arguidos
deslocaram-se para a casa do ourives, com os dois homens a entrarem na moradia
e a decidirem que “se justificaria qualquer conduta para se apoderarem da
carrinha”, inclusive a morte do ourives, refere o MP.
Por volta das 06:00, o ourives de 56 anos deslocou-se à garagem, altura em
que os arguidos terão aproveitado para entrar nessa divisão.
Um dos suspeitos encostou a pistola resultado do assalto anterior à nuca do
ourives e disparou, afirma o MP, no despacho de acusação.
Segundo o Ministério Público, a vítima “começou a gritar e
envolveram-se numa luta corpo a corpo”, tendo o arguido tentado novo
disparo. Como a arma encravou, usou uma moca de madeira para atingir o ourives
na cabeça, que caiu ao solo.
Entretanto, a mulher do ourives, alertada pelos gritos, “desceu à
garagem” e, assustada, começou a fugir, mas acabou imobilizada por um dos
suspeitos que a puxou para a garagem e tentou estrangulá-la com recurso a um
fio elétrico, mas sem sucesso.
De acordo com o MP, depois de várias pancadas e tentativas de asfixia das
duas vítimas, os dois arguidos, verificando que as vítimas já estavam mortas,
apoderaram-se de ouro e dinheiro que se encontrava numa das divisões da casa e
ausentaram-se do local na carrinha do ourives.
Posteriormente, os dois suspeitos, juntamente com a namorada de um,
venderam o ouro roubado a um retalhista em Coimbra (arrecadando um total de 50
mil euros) e procederam à divisão do dinheiro.
Os dois jovens agiram “com total frieza de ânimo e insensibilidade,
com total desvalor pela vida humana, tanto mais que se tratava de pessoas que
os mesmos conheciam”, sublinha o MP.
Os suspeitos foram detidos na sequência de buscas efetuadas às suas
residências, a 19 de novembro de 2014.
Os dois arguidos acusados de homicídio qualificado estão presos
preventivamente.

LUSA

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