No próximo domingo

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No próximo Domingo, dia 4 de Outubro, está em jogo mais uma
vez o futuro do país. Mais do que nunca as batalhas partidárias entupiram as
televisões, os jornais, as redes sociais e as conversas de café.
Pessoalmente, acompanhei mais as batalhas “facebookianas”. O que mais me
impressionou foi a falta de responsabilidade, as mentiras descaradas e a falta
de memória. Várias personagens de parte a parte apressaram-se a partilhar
notícias, factos e até peças humorísticas que demonstram a superioridade das
suas cores e procuram influenciar os mais impressionáveis.
Isto incomoda-me. Tenho cor política, fiz as minhas partilhas, mas ninguém me
pode acusar de irresponsabilidade ou memória curta. 
Assim, e usando uma das palavras do momento, vou usar este espaço para
desmistificar alguns tópicos quentes desta campanha.

Quem chamou a troika?



O único partido que abordou a questão da Troika de forma responsável foi o
Bloco de Esquerda. Num dos seus vídeos, e antes de colocar os três partidos
mais centrais todos no mesmo saco como é seu apanágio, o BE disse a verdade aos
Portugueses: a responsabilidade pela chegada da troika foi do PS, PSD e CDS-PP. 
O PS estava no Governo, não há como negar responsabilidades em toda esta
situação. A saúde financeira não foi devidamente acautelada e os programas PEC
foram tardios.
Mas o PSD e o CDS-PP não podem escudar-se nisto. Estes partidos tomaram a
decisão consciente de provocar uma crise política e consequentemente a queda do
Governo quando chumbaram o PEC IV. Não há como negar que este foi o momento que
despoletou toda a situação.
É importante mencionar que o referido programa teve a aprovação de Angela
Merkel e que acabou por servir de base para o programa da Troika.

O PS levou o país à bancarrota.



Uma das ideias fortes da coligação PaF é a de que a culpa de tudo isto é do PS.
Em suma, PSD e CDS-PP afiançam aos portugueses que foram obrigados a tomar
medidas duras de forma a resolver os problemas que o PS criou durante o governo
de Sócrates. 
Numa única ideia, apoiada no facto de o ex-governante ter estado em prisão
preventiva, a coligação impõe nos principais adversários um obstáculo
incontornável: a responsabilidade total pelos problemas do país.
Ora, a história diz-nos que as responsabilidades são partilhadas. Na memória
colectiva ninguém esquece o buraco da Madeira, os 30 anos de ligação ao Governo
e à pasta das finanças em particular de Cavaco Silva e os sucessivos erros de
casting que resumem a carreira política do quase-candidato-a-PR Santana Lopes, o
caso dos Submarinos, ou a “crise política” que Portas despoletou de forma
propositada, com o único propósito de fortalecer a sua própria posição e a
representatividade do seu partido no Governo.
Sem dúvida que o PS cometeu os seus erros, mas telhados de vidro não faltam
para os lados da coligação.

Hoje o país está melhor que há quatro
anos atrás.



A coligação surgiu no Governo com objectivos claros: reequilibrar as contas do
Estado, controlar a dívida pública, criar mais emprego e reconquistar a
confiança dos mercados. 
Vejamos: 
Nas contas públicas, apesar de cortes profundos e do “enorme aumento de
impostos”, o défice e a dívida do Estado desiludiram sucessivamente a troika e
o Executivo. O défice de 7,4% no final do primeiro ano de legislatura foi
reduzido nos dois anos seguintes, mas o processo de intervenção no BES provocou
um deslize inesperado.

Apesar de não ser contabilizado segundo as regras europeias,
o dinheiro emprestado ao Fundo de Resolução para criar o Novo Banco provocou um
défice de 7,2% em 2014. Ainda assim, as contas do Ministério das Finanças
apontam para um saldo negativo de 2,7% este ano, contando com o melhor final do
ano desde 1999 para compensar os 4,7% de défice no primeiro semestre…
Na dívida pública, os 108,2% registados há quatro anos atrás foram engordando
até chegarem a uma dívida total de 130,2% do PIB no final do ano passado,
contabilizando o efeito da ajuda ao Novo Banco.
Em 2011, Portugal tinha 4,74 milhões de empregados e para menos de 4,5 milhões
em 2013. As estimativas de Agosto deste ano apontam para um total de 4,62
milhões de cidadãos empregados em Portugal, contabilizando estágios
profissionais, etc.
Comparemos agora a situação da educação (quem não se lembra do caos em Setembro
do ano passado?), da saúde (também o “pico” de gripe que entupiu os hospitais e
criou as listas de espera que tanto transtorno criaram nos portugueses) e da
justiça (o famoso caso Citius, o eterno problema dos prazos…). Os problemas nas
áreas que são a razão de ser do Estado têm sido uma constante nos últimos quatro
anos. Este ano as coisas têm sido aparentemente mais pacíficas, pergunto-me
porquê.

O apelo ao voto útil.



A verdade é uma: só existem duas opções nestas eleições. Ou estamos contentes
com o estado do país e votamos na coligação, ou não estamos e votamos PS. 
Por muito que seja de salutar a existência de vários partidos, o amadorismo ou
o simples choque com aquilo que é defendido por 90% dos portugueses torna-os
redundantes. Exemplifiquemos:
Eu sou um rapaz que tem imenso apreço pela natureza e, se pudesse,
dedicar-me-ia ao PAN. Mas eu não posso votar num partido que só tem uma
preocupação na sua génese, ignorando por completo a governação propriamente
dita.
Eu tenho um respeito enorme pelo Jerónimo de Sousa, considero-o um
político-modelo. Mas eu não posso votar num partido anti-europa, e que ignora todos
os benefícios que a vida na comunidade europeia nos deu.
A época eleitoral fez bem ao BE. A liderança aparenta ser agora mais sólida,
com Catarina Martins a revelar-se nos debates; sem esquecer a grande sensação
da política actual Mariana Mortágua. Mas eu não posso votar num partido cuja
política económica se baseia na tributação do capital. O capital é móvel, se
entender que a tributação aqui não o favorece, vai-se embora, levando com ele
riqueza e emprego.
Eu posso querer mostrar o meu desagrado com esta situação e votar em branco.
Posso achar este modelo partidário obsoleto e nem sequer votar. Mas isso é
deixar que outros decidam por mim, é sujeitar-me a mais quatro anos de decisões
ruinosas e não ter sequer a moral para me queixar. Existe apenas uma solução:
envolvermo-nos. Tomar o controlo da situação.
Domingo eu vou votar e a minha opção não poderia ser mais clara.
Rui Sancho

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