JUSTIÇA – Julgamento do crime de Foz de Arouce com alegações finais para 16 de outubro

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O arguido Pedro acusou o
companheiro Francisco de “ser uma menina”. Numa das muitas discussões ocorridas
durante as férias de Portimão, o mecânico mostrou-se descontente com a postura
do seu companheiro de furto na madrugada de 25 de junho de 2014, e que o
obrigou a “fazer tudo”.
A arguida Tânia e a testemunha
João confirmaram esta “animada” conversa entre os dois arguidos. Aliás, Tânia
começou por falar na frase inscrita no título desta notícia, mas depois de
algumas inquirições acabou por dizer que Pedro já não teria falado daquela
forma. Coube à testemunha João confirmar estas palavras nas declarações que
prestou ao final da tarde de ontem no Tribunal da Lousã.
O ex-amigo de Pedro acompanhou-o
naquelas férias de Portimão e recordou que o tom de conversa entre os dois
arguidos era tudo menos amistoso. De tal forma que a arguida Tânia terá,
segundo esta testemunha, abandonado as férias algarvias. Informação que o
coletivo anotou, aproveitando para deixar algumas críticas à arguida.
Sobre as férias, a antiga
companheira de Francisco disse que elas não terão custado mais “de 600 euros”
para o casal. “Foi o valor dos dois cheques que o Francisco depositou na minha
conta”, garantiu Tânia. Questionada sobre “a vida faustosa” daqueles dias, a
arguida negou, mas acabou por reconhecer que o valor poderia ser maior em
virtude de ter ido “comer fora” algumas vezes e de terem ido “algumas noites”
às discotecas e bares daquela zona.
Nas declarações, Tânia declinou
qualquer responsabilidade no primeiro furto (ocorrido em fevereiro de 2014) e
que a primeira informação solicitada sobre a carrinha do ourives teve lugar
apenas em maio. Na conversa a três, em que a arguida reconheceu ter ficado “com
algum receio”, foi-lhe pedido que fizesse vigias ao casal de ourives.
Duas deslocações a Foz de Arouce
foram confirmadas por Tânia, tendo em ambas as situações estado presente a
arguida Catarina. Aliás, foi esta que passou em frente à casa dos ourives
quando estavam a chegar de uma feira.
A amiga da Tânia informou esta do
sucedido na madrugada do dia 25 de junho, principalmente quando as notícias
começaram a ser veiculadas pela comunicação social. “Ligou-me perto da hora de
almoço a falar deste crime”, frisou. Tânia referiu que ainda tentou falar com o
ex-companheiro sobre o sucedido naquela madrugada, mas que este apenas lhe
disse que “o casal estava morto”. “Não quis falar mais sobre o assunto”,
frisou, mas fez questão de lembrar que desde o sucedido naquele dia “o
Francisco andou muito nervoso”. Ontem, o coletivo de juízes presidido por João
Ferreira tentou ouvir o recetador do ouro furtado ao casal de ourives, mas este
recusou-se “a falar sobre os factos”.
Alegações marcadas

 No resto do dia, houve tempo para ouvir algumas
das testemunhas de acusação e de defesa. Por um lado, ficou-se a saber que,
desde o sucedido, a família deixou de festejar qualquer tipo de aniversário ou
data festiva. E que os pais de Pedro se sentem “rejeitados” pela sociedade
local.
Sobre a postura dos arguidos nas
investigações, o agente da Polícia Judiciária ouvido no Tribunal da Lousã disse
que Pedro começou por negar, inicialmente, os factos, mas depois acabou por ser
“bastante colaborante”. De tal forma que foram as suas informações a levar os
agentes a encontrar o ouro pertencente ao Francisco numa casa abandonada.
Devido ao assumir de
responsabilidades dos dois principais arguidos logo na primeira sessão, os
advogados acabaram por prescindir de algumas das testemunhas que tinham pedido
para serem ouvidas.
Esta situação levou a que já
tivesse sido marcada para o próximo dia 16 de outubro, pelas 09H30, a sessão
onde o Ministério Público e os advogados farão as alegações finais, bem como
ficou agendada para a tarde de 6 de novembro a “leitura” do acórdão.