A oportunidade da discussão

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Muito
se tem escrito e dito sobre a nova via rodoviária que está prevista construir entre
Coimbra e Viseu. Em estudo existem pelo menos 2 alternativas ao traçado, sendo
que ambas prevêem a passagem pela Serra de Gavinhos com direcção a Gondelim até
à Barragem da Aguieira, onde irá entroncar no IP3, cujo troço de 11 km será
alargado (e eventualmente portajado) para ligar ao já existente IC12, o qual será
prolongado até a Mangualde, onde irá ligar à A25.

Segundo
a empresa Infraestruturas de Portugal, a necessidade de construir uma nova via,
que seja uma verdadeira alternativa ao actual IP3, é urgente, já que os níveis
de tráfego são muito intensos, agravados pela orografia e pela percentagem de
veículos pesados que nele circulam, não esquecendo a elevada sinistralidade que,
nos últimos 15 anos, se traduziu em 85 vítimas mortais, numa média de 6 vítimas
mortais por ano.

De
acordo com o estudo avançado pela empresa, e os pressupostos em que o mesmo
assentou, a construção de uma alternativa ao IP3, para além da mais-valia que
traz aos agentes económicos, também procura melhorar as condições de utilização
de quem por ele circula, proporcionando-lhes maior segurança e rapidez. Mas
nestas coisas, a experiência diz-nos que o bom é inimigo do óptimo, e que, para
alcançar os objectivos (empresariais) previstos, nem sempre são tidos em conta os
constrangimentos que uma obra daquela envergadura provoca, sobretudo nas
populações por ela afectadas, já que, como é hábito, o interesse económico
sobrepõe-se sempre, aos interesses de cada um.

Não
me recordo que tenham existido debates com a população a fim de ser apurado o
que deveria (ou não) ser salvaguardado. Recordo-me sim, da existência de um
traçado alternativo, que seguia, a partir da Espinheira, em direcção a Carvalho
e posteriormente à Barragem da Aguieira, em tudo comparado ao que hoje pretendem
construir como alternativa. Sei que a proposta apresentada foi chumbada com o
argumento de que aquela opção seria prejudicial para Penacova, por ficar
demasiado afastada e assim não lhe trazer benefício. Sopesados os prós e os
contras, a meu ver Penacova ficou bem mais prejudicada com a opção adoptada, já
que tal itinerário em muito pouco, para não dizer nada, a favoreceu pois
contribuiu para uma total descaracterização da sua identidade, como vila ligada
ao rio, criando danos ambientais irreversíveis, já para não falar nas constantes
(e permanentes) inquietações que tal opção provocou nas pessoas, privadas que
se viram dos seus ancestrais pertences.

Não fossem as aturadas diligências por parte dos movimentos cívicos que entretanto se constituíram, ainda hoje não teríamos um separador central que protegesse a integridade física dos utilizadores do IP3.

Aproveitando
o período de discussão pública que se encontra a decorrer, a CDU de Penacova ea Comissão de Utentes e Sobreviventes do IP3, decidiram, e bem, promover um debate em
Gondelim, dirigido à população do concelho que mais poderá vir a sofrer com a
construção desta nova via. Através dele, procuram antecipar as potenciais implicações que sua passagem pelo concelho vai provocar nas localidades mais afectadas, os riscos a ela associados
e, sobretudo, prestar uma informação actualizada à população sobre o actual ponto da situação.

Faço votos para que, desta vez, sejam
ponderadas todas a possibilidades e que não sejamos todos (muito) prejudicados
com mais esta construção, pois sabemos o que nos custou a construção da
Barragem da Aguieira, a construção da Barragem do Coiço, a construção do IP3 e a
construção do IC6, e também sabemos o que poderia ter sido evitado para que
hoje não estivéssemos preocupados com mais esta ferida que, muito provavelmente,
vai ser aberta no nosso concelho.

Espero que os nossos autarcas sejam
suficientemente diligentes (e intransigentes) na defesa dos interesses do
concelho e das suas populações e que procurem, perante a inevitabilidade da construção,
obter as maiores contrapartidas e minimizar os prejuízos dela decorrentes.

Pedro Viseu

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