IP3 – População reúne-se em Gondelim contra traçado de futura autoestrada

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Várias dezenas de cidadãos do concelho de Penacova e utentes do IP3
(itinerário principal que liga Coimbra a Viseu) “reprovaram” ontem em Gondelim o
traçado proposto pela empresa IP para a Via dos Duques (autoestrada
Coimbra-Viseu), que prevê designadamente “o atravessamento do rio Mondego
na zona da Mata de Vale de Canas [em Coimbra] e da Serra do Buçaco”.
De acordo com o estudo prévio, a futura via, “além de atravessar uma
grande parte do território do concelho [de Penacova] muito próximo de zonas
habitacionais, afetando a sua qualidade de vida e destruindo os seus
bens”, também terá grande impacto ambiental, afirma a resolução aprovada
por aqueles cidadãos, que se reuniram hoje, em Gondelim, localidade da
freguesia de Penacova, para debater o assunto.
Além de constituir uma “forte agressão ambiental e ecológica”,
podendo mesmo “afetar as reservas das águas de Penacova e do Luso”, o
trajeto preconizado pela IP também terá “elevados custos” e
apresenta-se como “uma duplicação de infraestrutura do mesmo tipo na mesma
região”, adverte o mesmo documento.
Os participantes na reunião apelam, assim, à IP e ao Governo que promovam o
estudo de “alternativas menos onerosas para o país e para as populações,
com menor impacto ambiental, paisagístico e ecológico e que possam servir
melhor o território e o desenvolvimento regional”.
A nova autoestrada não se deve sobrepor ao “IP3 e a outras estradas já
existentes, que devem continuar a existir como vias alternativas e sem
portagens”, sustentam.
Os participantes no encontro exigem, por outro lado, que o IP3 seja
“urgentemente reparado entre os nós da Espinheira e Souselas” e que,
“a médio prazo, seja melhorado entre a zona da Barragem [da Aguieira] e o
IC2, com o alargamento de todo o traçado para quatro faixas”, e “a
reabertura do acesso ao IP3 no nó do Alto das Lamas, no sentido de
Coimbra-Viseu”.
Esta posição vai ser objeto de um abaixo-assinado a enviar à IP, disse
Eduardo Ferreira, da Associação de Utentes e Sobreviventes do IP3, uma das
entidades promotoras da reunião.
Os participantes no encontro também se manifestaram “sensíveis aos
argumentos razoáveis, apresentados pelas câmaras municipais da Lousã, de Vila Nova de Poiares e de Góis“, contestando igualmente o trajeto proposto pela
IP e defendendo que a nova via entre Coimbra e Viseu seja construída na
“margem sul do Rio Mondego, ligando a A13 [Coimbra-Tomar] à zona da Aguieira,
com passagem pelo concelho de Vila Nova de Poiares, disse à agência Lusa
Eduardo Ferreira.
O novo traçado parcial do IP3 teria “toda a vantagem com uma ligação
direta à A13 que tornasse mais rápidas as viagens para Coimbra ou para Lisboa,
para os atuais e novos utentes”, sustentam aquelas autarquias,
considerando que a nova via deverá “alcançar a A13” a partir de Santa
Comba Dão (distrito de Viseu), por Vila Nova de Poiares e Ponte Velha,
“constituindo-se aqui como uma alternativa à EN17” (Estrada da
Beira).
Lusa