RECADOS DO PATRIMÓNIO – O Reencerramento dos túmulos das Santas Rainhas em Lorvão

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A imagem anexa constitui para
memória futura (a primeira a ser publicada na imprensa) do momento exacto do
reeencerramento das arcas tumulares onde repousam as relíquias das Santas
Rainhas de Portugal (D. Teresa e D. Sancha), após reabertura de 300 anos de
encerramento (1715). O ónus da prova está registado nas propriedades da imagem
(18H11 do dia 18 de Outubro de 2015) ao gravar o momento em que o vigário da
Diocese de Coimbra, padre Dr. Pedro Miranda sob a presidência de D. Virgílio
Antunes, Bispo de Coimbra, fecha a arca tumular de D. Sancha. Depois seguiu-se
a de D. Teresa. E agora, quando serão reabertos? Ninguém sabe já que durante
300 anos não existem provas que tenham alguma vez sido abertas.
A igreja monacal lorvanense foi
palco de um dos momentos mais brilhantes da sua longa epopeia histórica para
gáudio dos lorvanenses e não só, materializado numa sessão solene dita de
“encerramento dos túmulos das Santas Rainhas nos 300 anos das relíquias para a
igreja do Mosteiro”. Presentes as principais entidades eclesiásticas da Diocese
de Coimbra, autarcas e associações do concelho, irmandades do Lorvão, Arouca,
Coimbra e Espanha (nota negativa para as ausências de Montemor-o-Velho e
Alenquer) e de muito, mas muito povo animado pela devoção e algo de
curiosidade, o que é saudável. A igreja monacal repleta de pessoas respirava
devoção, alegria, entusiasmo e comungava dos cânticos provindos dos coros
dirigidos por Nuno Fileno com acompanhamento musical do monumental órgão
tubular sob o comando do organista João Guerra. Simplesmente deslumbrante e
cinestesiante bem à maneira da gratidão das Santas Rainhas.

Tratou-se de uma sessão ímpar em
tempos hodiernos no mosteiro lorvanense em nada fragilizada com atenções
concentradas em Gavinhos, onde a equipa de futebol local defrontava o Rio Ave
para a Taça de Portugal (União Rio Ave), um outro momento histórico no concelho
de Penacova em nada a afectar a ambiência lorvanense, a não ser as dificuldades
de acesso.
O autor de RP marcou presença, não
foi convidado, nem precisava de o ser, o momento exigia-o e por isso sou
obrigado a confessar a não neutralidade historiográfica para narrar emoções e
sentimentos, conforto e alegria, “vivências” culturais, patrimoniais e de fé
impares… e só temos de estar gratos ao Supremo por ter permitido ser
participante nesta cerimónia exaltante e brilhante da comunidade lorvanense. As
cerimónias, por certo não tiveram o brilhantismo das verificadas em 1715
(sábado 19, domingo 20 e 2ª feira 21 de Outubro); mas, foram simplesmente
brilhantes e as comunidades envolvidas estão de parabéns a quem ousamos “tirar
o chapéu” e dizer Obrigado Lorvão.
Dito isto e como recomendação aos
leitores interessados em conhecer algo sobre a história das arcas tumulares e
cerimónias do encerramento em 1715, recomenda-se leitura de um artigo de alta
qualidade científica e leitura apelativa publicado na revista Oceanos (nº 43)
pelo prof. Dr. Nélson Correia Borges, o maior historiador e animador do
mosteiro lorvanense.

*Artigo de opinião originalmente publicado na edição impressa do Diário de Coimbra de 08.11.2015