III FÓRUM DO INTERIOR – É possível travar “sangria” dos territórios do interior

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Vontade política» e «articulação
estratégica entre o local e o nacional» constituem a “receita” base para
desenvolver as regiões do interior e combater a “sangria” a que têm estado
sujeitas. Esta foi uma das conclusões do III Fórum da Animar – Associação
Portuguesa para o Desenvolvimento Local, que decorreu em Penacova. Um caminho
que tem como pressuposto a criação de uma lei de Bases do Desenvolvimento
Local, proposta que Eduardo Figueira, presidente da associação, defendeu na
sessão de abertura do encontro e que reiterou no encerramento, como receita
fundamental para tornar eficaz qualquer estratégia para o desenvolvimento e
afirmação do interior.

Sublinhando as dificuldades que
enfrentam as organizações da economia social, Eduardo Figueira salientou a sua
«vitalidade e resiliência», como factores fundamentais e uma «mais-valia para
«o desenvolvimento local» e fez notar a «ferramenta facilitadora» que o
Portugal 2020 pode representar para as organizações da economia solidária, como
«agentes capazes de contrariar os factores que levam ao aparecimento das
regiões deprimidas, por possibilitar um intervenção não caritativa».

As conclusões do fórum – que
reflectiu sobre o combate à degradação económica e social do interior, sob o
tema “Cooperação e Desenvolvimento Local” – sublinham ser «necessário» e
«possível» «travar a sangria dos territórios do interior», bastando, para isso,
que «haja articulação estratégica entre o local e o nacional», bem como a
«necessária vontade política». «É possível promover o desenvolvimento e a
qualidade de vida nos territórios deprimidos e de baixa densidade, desde que se
optem as políticas adequadas», refere o documento das conclusões, que aponta o
Portugal 2020 como «um instrumento adequado». O Fórum do Interior, que reuniu,
durante dois dias, académicos, estudiosos, autarcas, decisores políticos,
dirigentes e técnicos associativos, incluiu mais de uma dezena de debates e
oficinas, «cumpriu os seus objectivos», afiançou o presidente da Animar, organizadora
do evento, em parceria com a Câmara de Penacova e o Grupo de Solidariedade
Social, Desportivo, Cultural e Recreativo de Miro.
Artur da Rosa Pires, catedrático
da Universidade de Aveiro, convidado para a conferência inaugural, advogou a
necessidade de «um novo paradigma para as políticas de desenvolvimento»,
considerando estratégico «perspectivar o desenvolvimento das áreas rurais tendo
em vista integrá-las nas redes económicas globais, sob pena de as regiões
deprimidas e de baixa densidade estiolarem». Uma integração que, no entender
deste especialista pode passar, nomeadamente, pelo «desenvolvimento de sistemas
de alimentação saudável», «revalorização da natureza, explorando as
potencialidades do património e do meio ambiente». Defendeu, ainda, uma
reorientação do foco das universidades, do urbano para o rural, que estas têm
«negligenciado». DC