E um pouco de noção?

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Os
acontecimentos em França são de uma tristeza imensa. Mais um cobarde ataque ao
estilo de vida europeu por parte de um inimigo sem face.
Todos nós devemos reflectir sobre eles. Infelizmente, nesta sociedade do
imediato, a reflexão parece cada vez mais uma coisa do passado.
As reacções
anti-imigração, anti-islamitas e anti-refugiados que se vêem por aí merecem
apenas uma resposta da minha parte: um indescritível e profundo asco.
Tais
reações, alicerçadas na ignorância e no medo, são terreno fértil para as Marie
Le Pen e os PNR’s desta vida. Aliás, no caso português, o ignóbil movimento não
deixou de aproveitar, lançando uma campanha de ódio religioso e xenófobo, que
está a ser recebida por pessoas perfeitamente normais com alguma naturalidade.
Levantam-se
as vozes que exigem o fecho das fronteiras aos refugiados. Partilham-se
notícias de há 4 meses atrás com o único intuito de espalhar o terror,
utilizando-o como arma política.
Asco
É isto
que nós queremos? Responder ao terror com terror?
Será
que ainda não aprendemos nada com a experiência dos últimos anos?
O
ataque em França nada tem a ver com refugiados. Eu sei disso e tu, se não
andares com os cornos enfiados nas quintas e novelas de bosta que te impingem a
toda a hora, também sabes exactamente qual é o verdadeiro problema.
Em
França, o medo venceu.
Por
toda a Europa o medo venceu.
O medo
levou a que as pessoas olhassem para os governos pedindo soluções. Os governos,
em troca, pediram mais controlo.
Menos
privacidade em troca de mais segurança.
E é
aqui que reside o problema: não é o governo que deve controlar o povo, é o povo
que deve controlar o governo.
A
democracia resume-se hoje ao voto. A participação democrática termina aí para o
cidadão comum. Chamamos a isto democracia representativa?
Quem me
representa quando compramos o petróleo que financia o Estado Islâmico? Quando
vendemos ou deixamos vender as armas que eles usam para nos atacar, quem me
representa?
Asco.
Até
quando vamos continuar a fingir que não temos nada a ver com o que se passa na
Síria, quando somos nós que permitimos que esta situação se arraste?
É a
nossa inércia que permite a proliferação do extremismo. Os jovens que nascem
naquele ambiente não conhecem outra realidade. Os adultos apanhados no conflito
são confrontados com uma escolha: convertem-se ou morrem.
E
agora? Ainda achas que devemos fechar a porta aos refugiados?
Se sim,
parabéns. És uma valente Besta.

Rui Sancho

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