Quo Vadis?

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Um novo Governo surge e já fez
história, no meio da refrega política e, como se previa, o Governo Socialista.
O Governo de toda a esquerda surge, e declara, que irá tornar o país diferente.
Para o país do que mais positivo se retira é que todas as leis aprovadas por
esta maioria serão eminentemente sociais, acordadas antes nos bastidores da
Assembleia. O grande ponto fraco será numa crise: caso haja necessidade de uma
decisão célere ou alguma medida menos popular essa decisão não será
viabilizada. Em caso extremo, o Governo poderá cair.

Sem o espartilho da troika e da
intervenção a que Portugal foi sujeito, este Governo tem o desígnio messiânico
de nos reerguer socialmente, em toda a sua globalidade. Os seus desafios serão
principalmente cinco: Politico, Económico, Educação, Sociedade e Europa.
Politicamente o novo Governo terá forçosamente de convencer o país de que valeu
a pena derrubar o anterior Governo e quebrar com a tradição de que quem ganha
eleições é quem governa. Neste sentido está refém dos resultados. A criação de
emprego, níveis de educação efetivos, reverter a fuga de jovens e um novo salário
mínimo são reivindicações latentes contrabalançadas com compromissos europeus e
pagamento do serviço da dívida. Este frágil equilíbrio depende dos acordos que
consiga à esquerda apesar de, no entanto, a direita estar vinculada a
compromissos do seu programa eleitoral, sendo esta uma solução a explorar. É
neste sentido que o novo Governo pode ter um aliado inesperado se o interesse
nacional for respeitado.

Na Economia a política de emprego
é a principal emergência. Neste sentido a continuidade do incentivo à
competitividade das exportações é importantíssima. Na mesma linha, maiores
facilidades fiscais para a criação de empresas podem ser a chave. Muito já se
faz! Existem incubadoras de empresas ligadas a Universidades unindo o melhor de
dois mundos, imensos programas de apoio à contratação e estágios, ou seja,
muito já se tenta para que haja sucesso ao nível económico. Se os nossos jovens
são o futuro, não nos podemos esquecer dos mais velhos cuja dificuldade é maior
na inserção no mercado de trabalho. Uma justiça mais célere é essencial para
reavivar a economia.

Na Educação é de congratular o
plano que o Governo pretende apresentar, publicada no Diário Económico a 30 de
Novembro. Estágios durante todo o curso Universitário são a solução mais
interessante de criar valor não só para os alunos como para as empresas e
instituições que os recebam. Mais ainda, na minha opinião, a criação de um
grande plano da educação, enviando especialistas para países com melhores
resultados nesta área. Apesar das nossas especificidades como país, podemos
adaptar-nos sem precisar de “inventar a roda”. Também a informação, com dados
recolhidos pelo INE sobre a necessidade nacional de profissionais em Portugal e
percentagens de empregabilidade por curso, (universitário e profissional),
combateriam o desemprego jovem.
A Sociedade é um assunto
preocupante. Reverter a vaga de emigração jovem e reverter a pirâmide
demográfica são problemas primeiros, dependentes de todos os objectivos
anteriores. Se a cultura de maior qualificação e de trabalho dos anos 90 do
século passado foi frustrada pelos tempos hoje vividos, o revivalismo da
economia, da política e da educação são a solução. A melhoria das condições de
vida e o investimento na cultura, (da sua singularidade em Portugal), são a
forma do orgulho do português e são uma resposta para a fixação dos mais
jovens.

O tema Europeu é o mais
complicado. Estamos num mercado único, de livre circulação de bens, pessoas,
serviços e capitais, com moeda única, partilhada e política de concorrência
próprias. Se os fundos europeus nos dão a hipótese de evolução social e
convergência económica, o respeito e cumprimento das normas europeias são
estratégicas para os objectivos ao nível interno. Dar a conhecer a Europa nas
suas potencialidades e nas suas consequências é meta última neste entendimento.

Os objetivos agora elencados não
têm caminhos claros, imediatos e estanques. A única certeza é que num quadro
político de um Governo em minoria na Assembleia, mais minoritário que a
oposição e sujeito a acordos com 3 partidos é uma tarefa hercúlea. Para
alcançar a estabilidade, prudência e pragmatismo irão ser a regra, o contexto e
caráter vão ser a lei.

Tudo indica que temos os heróis
de uma epopeia, cujo destino é incerto e com objetivos bem claros. Agora será
que os objetivos vão ser atingidos?



Armando Mateus