SÃO PEDRO DE ALVA – Filarmónica comemora 50 anos

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Filarmónica da Cerâmica Estrela
de Alva acabou, mas ficaram os instrumentos, que, adquiridos por Adelino Lemos,
deram o mote para a constituição de uma nova banda. Aconteceu há 50 anos, em
São Pedro de Alva, e assim nascia a Filarmónica da Casa do Povo. Uma secção
autónoma, que tem a particularidade de todos os elementos da direcção serem,
também, executantes da banda. Ontem à noite, os músicos juntaram-se num jantar
de confraternização. Hoje a festa é aberta a toda a comunidade.

José Eduardo Correia preside à
direcção desta “orquestra”, com 42 executantes, entre os 12 e os 72 anos, e não
esconde as suas preocupações relativamente ao futuro, particularmente pela
«falta de adesão dos jovens». «Nunca tivemos essa dificuldade, mas hoje a
realidade é outra. «Temos 11 alunos», diz, considerando que este é um número
demasiado “curto” para «garantir o futuro».

«A escola de música é, e sempre
foi, o alfobre da filarmónica», diz José Eduardo Correia, que há praticamente
20 anos está ligado à direcção e não quer deixar essa “missão” sem ver a
«escola reforçada, com jovens e menos jovens». Aliás, ele próprio é um exemplo
de que não há idade para aprender, pois foi com 35 anos que começou a aprender
música e hoje toca tuba na banda.

A escola foi recentemente remodelada,
na sequência da entrada do novo maestro, Jorge Oliveira, um jovem de 23 anos,
que assumiu, em Maio passado, a regência da banda, sucedendo a Celestino
Almeida Martinho, que liderou a Filarmónica da Casa do Povo de São Pedro desde
1992. Com cinco professores, só precisa mesmo de ver crescer o nú- mero de
alunos para concretizar a aposta na formação que a direcção está empenhada em
cumprir.

Os instrumentos, caros por
natureza, são, confessa José Eduardo Correia, outra “preocupação”, muito embora
a filarmónica conte com o apoio do município de Penacova, que suporta, por
norma, uma percentagem do custo dos novos instrumentos. Para o ano, adianta, é
necessário um reforço no sector da percussão e o investimento ronda os 3.500
euros.

A filarmónica assinala hoje meio
século de funcionamento ininterrupto. O programa começa às 9h00, com uma
arruada, na vila, seguindo-se, uma hora depois, uma romagem ao cemitério e a
missa (11h30) por alma dos fundadores, regentes e filarmónicos já falecidos,
acompanhada pela banda. Segue-se um almoço e, pelas 15h30, concerto com a
Filarmónica da Casa do Povo de São Pedro de Alva e com a Banda da Associação
Recreativa Filarmónica Frazoeirense. A terminar, pelas 16h30, cantam-se os
parabéns e corta-se o bolo de aniversário.

A banda que tocou pela primeira vez “A Portuguesa”

José Eduardo Correia fez questão
de convidar a Banda da Associação Recreativa Filarmónica Frazoeirense para as
comemorações dos 50 anos da Filarmónica da Casa do Povo. Uma ideia “acarinhada”
há muito pelo presidente da direcção e que se prende com um momento relevante
da história da banda de Ferreira do Zêzere. «Foi a banda que tocou pela
primeira vez “A Portuguesa”», explica, adiantando que tal aconteceu quase por
obra do acaso, uma vez que Alfredo Caeiro, quando escreveu o Hino, se
encontrava a passar férias em Ferreira do Zêzere. Querendo ouvir a obra e
apercebendo-se que a banda estava a ensaiar, Caeiro pediu que a tocassem, o que
aconteceu, fazendo história.

Manuela Ventura – Diário de Coimbra

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