A propósito das cheias no Mondego

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A EDP enquanto concessionária e gestora da
exploração da barragem da Aguieira certamente virá alegar que as descargas
foram feitas em articulação com a APA – Agência Portuguesa do Ambiente enquanto
entidade reguladora do sistema.
A APA sustenta que o aumento intenso e brusco dos caudais afluídos
à albufeira da Aguieira, desde a tarde de domingo passado até à madrugada do
dia seguinte resultou da “intensificação da pluviosidade”, que foi “superior às
previsões”, e “levou a um incremento dos caudais debitados, não só para
garantir a segurança da barragem, como também para evitar o lançamento de
caudais muito superiores mais tarde.
O aumento do volume de caudais de água poderia “pôr em risco a
segurança dos diques no Baixo Mondego e provocar assim inundações mais graves”
como já aconteceu no passado.
Os Autarcas Presidentes dos quatro municípios
do Baixo Mondego afetados pelas cheias, exigem a monitorização do caudal do rio
e informação sobre os critérios de enchimento e descargas da barragem da
Aguieira e afirmam não terem sido devidamente informados.
A APA por sua vez em comunicado vem afirmar
que a informação foi disponibilizada no devido tempo e de forma a permitir uma
atuação atempada pela proteção civil, o que contraria a posição assumida pelos
quatro autarcas
A Direção Regional da Cultura do Centro
através da sua diretora quer que “alguém assuma as responsabilidades pelo
que aconteceu no mosteiro de Santa Clara-a-Velha”, já que as águas do rio
Mondego também invadiram o vetusto Mosteiro, fundado no séc. XIII, recentemente
recuperado.
O sábio São Pedro que ainda não foi chamado a
pronunciar-se (tenho para mim que foi o maior culpado) vaticina que
ciclicamente estas cheias vão continuar a acontecer e por isso recomenda que o
melhor que há a fazer é que todos os agentes responsáveis se prepararem
convenientemente e articuladamente entre si, para o próximo episódio, que virá
um dia destes e se deixem de desculpas!!! 
Luís Pedro Barbosa Antunes