RIO MONDEGO – PSD Coimbra exige inquérito às cheias por comissão independente

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Os vereadores eleitos pelo PSD na
Coligação Por Coimbra querem a constituição imediata de uma comissão de
inquérito “independente e cientificamente apetrechada” para avaliar o que
aconteceu no passado dia 11 de janeiro. Em conferência de imprensa, realizada
nas antigas esplanadas da zona da restauração do Parque Verde do Mondego, o
antigo presidente da câmara, João Paulo Barbosa de Melo, referiu que na visita
feita aos locais afetados ouviu “histórias diferentes” daquelas que foram
relatadas nos dias seguintes à tragédia.
Esta comissão de inquérito teria,
segundo os autarcas, a missão de “avaliar o que se passou na gestão da Barragem
da Aguieira e que originou as descargas anormais de 11 de janeiro”. Mas os
social-democratas entendem que a questão não se deve restringir ao suposto
comportamento doloso da EDP, mas também ao nível dos serviços de proteção civil
municipal.
Para esclarecer as dúvidas, os
vereadores João Paulo Barbosa de Melo e Paulo Leitão, que no encontro com a
comunicação social estiveram acompanhados do secretário-geral da concelhia
Carlos Lopes, defendem a escola de um painel de peritos independentes que
avalie “a atuação do Sistema Municipal de Proteção Civil, visando averiguar se
foi, de facto, feito o que era possível para minimizar os efeitos da cheia”. Os
autarcas não querem com esta proposta colocar em causa “o profissionalismo dos
técnicos” deste serviço, mas entendem que num caso como este “não se pode
sacudir a água do capote”.
Perante estes factos, o líder da
bancada social-democrata no executivo entende que é chegada, também, a hora da
cidade discutir o futuro desta zona e o que se pode fazer para ajudar a reduzir
os problemas resultantes deste tipo de situações.
Ministro, para quando?

O vereador Paulo Leitão
questionou ainda o facto de, até ao dia de ontem, nenhum membro do Governo se
ter deslocado até agora a Coimbra para conhecer os prejuízos causados pela
cheia de 11 de janeiro e que apoios dispõe para ajudar as populações afetadas.
A questão do desassoreamento foi abordada pelo líder da concelhia do PSD. Paulo
Leitão recordou o acordo assinado com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e
que previa a realização de dois estudos complementares, previstos pela
declaração de impacte ambiental. A anterior câmara adjudicou-os, mas “dois anos
depois continuamos sem saber os seus resultados”.

Perguntas

Era, ou não, evitável a descarga
da barragem que provocou a subida inusitada da água do rio em Coimbra? Se era
evitável, de quem foi a responsabilidade de ela ter sido efetuada?
Porque não chegou a tempo à
população a informação sobre o que estava prestes a acontecer nos
estabelecimentos do Parque Verde, nos pavilhões do remo, no Exploratório, na
Piscina Municipal, em Santa Clara-a-Velha? O que falhou nessa comunicação?
Terão sido acionados a tempo
todos os mecanismos de proteção existentes na margem esquerda que deviam ter
evitado que a água chegasse ao Mosteiro?

Em que medida é que o não
desassoreamento do Mondego em Coimbra contribuiu para a dimensão dos estragos?
E de quem é a responsabilidade de nada se ter feito nesta matéria desde 2013?


António Alves | Diário As Beiras