CIÊNCIA VIVA – O céu de fevereiro de 2016

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O mês começa com um espetáculo
relativamente raro, visível pouco antes do amanhecer – podem ser observados ao
mesmo tempo todos os objetos do Sistema Solar visíveis a olho nu (excepto o
Sol, claro), algo que já não acontecia desde janeiro de 2005.

Assim, por volta das 7 da manhã
do dia 6 de fevereiro, de Oeste para Sudeste, poderão observar Júpiter, Marte,
Saturno (praticamente a Sul), Vénus, a Lua em quarto minguante e Mercúrio (a
Sudeste).

Como a Lua se desloca cerca de 12
graus por dia no céu (como referência, à distância de um braço estendido, um
palmo cobre pouco mais de 20 graus), esta estará a cerca de 2 graus de Marte no
dia 1, a pouco mais de 6 graus de Saturno no dia 4, e já num finíssimo
minguante, no dia 6 formará um triângulo com Vénus e Mercúrio, estando a 3
graus do primeiro e a quase 5 graus do segundo.
Este movimento aparente da Lua
leva-a a atingir a Lua Nova no dia 8, e a chegar ao quarto crescente no dia 15.
Já a Lua cheia ocorre no dia 22.

A Lua em minguante, novamente de
volta ao céu da madrugada, passará a apenas 2 graus de Júpiter no dia 24 e
terminará o mês a pouco mais de 6 graus de Marte.

Também Vénus se irá aproximar de
Mercúrio, e com ambos a aproximarem-se do Sol, no céu. Os dois planetas estarão
em conjunção (ponto de maior aproximação entre eles) no dia 13, quando
estiverem separados de apenas 4 graus.

A partir do meio de fevereiro,
por ser pouco brilhante e começar a estar demasiado próximo do Sol, deixaremos
de conseguir ver Mercúrio. Vénus também irá desaparecer, mas só para o fim do
mês, por ser muito mais brilhante que Mercúrio.


No entanto, tenham em atenção que
este alinhamento dos planetas é apenas aparente, e resulta da projeção dos
movimentos dos planetas na esfera celeste. Se conseguíssemos “subir” acima do
plano do Sistema Solar, facilmente veríamos que os planetas não estão, de
facto, alinhados.
E falando no plano do Sistema
Solar, quando este é projetado na esfera celeste, fica reduzido a uma linha
imaginária, conhecida como Eclíptica. Esta linha define o trajeto anual do Sol
no céu, e por isso interceta todas as 13 constelações do Zodíaco (incluindo a
constelação ignorada por uma certa pseudociência, de Ofiúco ou Serpentário).

É ainda (aproximadamente) ao
longo desta linha que se dispõem os planetas visíveis no nosso céu. Por isso,
se têm dificuldade em encontrar as constelações do Zodíaco, durante o início
deste mês, basta seguir a linha imaginária desenhada pelos planetas, para
encontrar Sagitário (ao lado de Mercúrio e Vénus), Ofiúco, Escorpião (com
Saturno entre elas), Balança (onde está Marte), Virgem e Leão (com Júpiter pelo
meio).
Boas observações.
Ricardo Cardoso Reis (Planetário
do Porto e Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço)
Ciência na Imprensa Regional –
Ciência Viva
Figura 1: O céu do dia 6 de
fevereiro de 2016, por volta das 7 da manhã. De Oeste para Sudeste, poderão
observar Júpiter, Marte e Saturno praticamente a Sul, e finalmente o triângulo
formando por Vénus, a Lua e Mercúrio (a Sudeste).
(Imagem: Ricardo Cardoso Reis
/Stellarium)
Figura 2: As posições e órbitas
dos planetas, como poderiam ser observadas perpendicularmente ao plano do
Sistema Solar, no dia 6 de fevereiro de 2016. Nesta imagem o diâmetro e o
tamanho das órbitas dos planetas Júpiter e Saturno foram reduzidos, de modo a
caberem na imagem. Imagem produzida pelo software de simulação do Universo
SkyExplorer V3 (RSA Cosmos), usado nas sessões imersivas do Planetário do Porto
– Centro Ciência Viva.
(Imagem: Ricardo Cardoso Reis
/Planetário do Porto – Centro Ciência Viva)