LORVÃO – Personalidades reunem-se no Mosteiro em busca do Apocalipse

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A Câmara Municipal de Penacova
assinalou ontem o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, com a realização
de um evento que pretendeu promover uma reflexão sobre o que se pode fazer para
o futuro no Mosteiro de Lorvão.
Assim, o colóquio “em busca do
Apocalipse de Lorvão – por trilhos de moleiro”, contou com a presença de várias
personalidades e técnicos ligados aos estudos medievais, que se debruçaram
sobre os desafios da promoção do património adstrito ao mosteiro, seja
construído, simbólico ou espiritual, como explicou Silvestre Lacerda, director
Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB), com a tutela da Torre
do Tombo, onde está depositado o livro Apocalipse de Lorvão, inscrito como
património da humanidade pela UNESCO.
Na sessão de abertura, o
presidente da Câmara Municipal de Penacova, Humberto Oliveira, aludiu aos
«séculos de história» e toda a herança daquele que é o único monumento nacional
do concelho, mas defendeu que «estamos aqui para perspectivar o futuro».

«Este será sempre um projecto
inacabado e temos todos de continuar a acrescentar valor», disse, salientando
que existem vários desafios a ultrapassar rapidamente. Desde logo, considerou,
«temos de colocar o museu em condições de abrir ao público, porque o Estado
gastou aqui muito dinheiro».

Por outro lado, o autarca delineou
«o desafio da regeneração urbana, cujo projecto está quase pronto», elegendo
ainda o futuro do hospital psiquiátrico como uma meta a atingir, reconhecendo a
vantagem de que, como «está devoluto, «é um espaço em branco, que podemos
utilizar com o que entendermos melhor».
Por último, e mais importante, na
óptica de Humberto Oliveira, está a necessidade de divulgar o património
existente, tendo mesmo relatado que um grupo de visitantes, conhecedores da
área, ao repararem que o Apocalipse era património da Humanidade, referiram:
«vocês são bons a guardar segredos».
O presidente da Junta de
Freguesia de Lorvão, Rui Batista, explicou que no Mosteiro de Lorvão «temos o
magnífico e o espantoso, que é transversal a quem o visita» e, na linha de
Humberto Oliveira, defendeu que «o segredo tem de passar» para o público.
Na sessão de abertura participou
ainda Jorge Lobo Mesquita, em representação da Comissão Nacional da Unesco, bem
como Maria Fonseca, da Associação Pró-Defesa do Mosteiro, sendo que teve lugar
um painel com Alícia Miguelez, do Instituto de Estudos Medievais, e Inês
Correia, conservadora restauradora da DGLAB. Houve uma apresentação de peças
inspiradas no Apocalipse de Lorvão e uma visita ao mosteiro.
À tarde, teve lugar um passeio
pelos trilhos do moleiro, que culminou com uma degustação da doçaria conventual
de Lorvão.
Futuro do hospital é uma incógnita

O espaço do Mosteiro de Lorvão
onde funcionou o hospital psiquiátrico permanece na tutela do CHUC e, se Rui
Batista elogiou os esforço do conselho de administração no desbloqueamento de
autorizações para coisas tão simples como o almoço de ontem, ou que a Junta de
Freguesia possa ir verificar de há infiltrações e substituir telhas, também
apelou a que seja feito um esforço para ser definida uma forma, seja qual for,
de poder ser agilizada uma valorização do espaço.
José Carlos Salgueiro – Diário de Coimbra