SAÚDE – Estudo desenvolvido na UC revela nova estratégia para o combate à Obesidade e Diabetes tipo 2

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Um
estudo pioneiro desenvolvido ao longo de dois anos na Universidade de Coimbra
(UC), distinguido agora com o Prémio Nacional de Diabetologia, no valor de
20 mil euros, atribuído pela Sociedade
Portuguesa de Diabetologia, permitiu
estabelecer
as relações da irrigação do tecido adiposo com a obesidade “não saudável” e a
diabetes tipo 2
.
Pela
primeira vez, uma equipa de investigadores, do Laboratório de Fisiologia,
Instituto de Imagem Biomédica e Ciências da Vida (IBILI) da Faculdade de Medicina
e do Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS) da UC
(coordenados, respetivamente, pelos Professores Raquel Seiça e Miguel
Castelo-Branco), avaliou in vivo (em
rato) a eficácia da Ressonância Magnética no estudo dos efeitos da glicação na
irrigação e na expansão do tecido adiposo e suas consequências locais e
sistémicas. 

A
formação de produtos de glicação avançada ocorre na diabetes mellitus, em
relação com o aumento da glicose no sangue, mas também pode ser consequência da
ingestão destes produtos, presentes nomeadamente na denominada “dieta de
cafetaria” (p. ex., alimentos processados, ricos em açucares e sujeitos a
temperaturas elevadas como os fritos).

Sabendo
que o tecido adiposo tem a capacidade de armazenar o excesso de energia
ingerida, expandindo-se de forma quase ilimitada, e impedir a acumulação nociva
de gordura noutros locais como o fígado, os investigadores quiseram perceber a relação entre a irrigação do
tecido adiposo e a acumulação de produtos de glicação avançada, e o
envolvimento deste processo no desenvolvimento da obesidade “não saudável”,
colocando a hipótese de os produtos glicados alterarem a microcirculação do
tecido adiposo e a sua expansão adequada, comprometendo desta forma a sua
função.
Foram
estudados três grupos de ratos normais: ao primeiro grupo foi administrado um
produto glicado, o segundo foi alimentado com dieta gorda (rica em
triglicerídeos) e o terceiro grupo foi sujeito à combinação de ambos (produto
glicado e dieta gorda). Observou-se que a acumulação de produtos glicados
provoca diminuição da irrigação do tecido adiposo e a dieta gorda,
isoladamente, induz expansão do tecido adiposo; mas é a associação da glicação e da dieta gorda que altera a função do
tecido adiposo conduzindo a insulino-resistência local e sistémica.

A
investigação mostrou que na expansão do tecido adiposo que ocorre na obesidade,
mais do que a hipertrofia (aumento de volume) das células adiposas,
anteriormente associada aos distúrbios da função deste tecido, são as alterações microvasculares e da
irrigação do tecido adiposo, causadas pela glicação, que levam à perda da sua
função com consequências locais e metabólicas sistémicas como aumento dos
níveis sanguíneos de glicose e lípidos.

Ou
seja, «a acumulação de produtos glicados
poderá estar envolvida no desenvolvimento da obesidade “não saudável”,
fortemente associada à pré-diabetes e à progressão para diabetes tipo 2»,
explica a coordenadora do estudo, Raquel Seiça.
Os
resultados desta investigação, nota a Catedrática da FMUC, «revelam ainda que a Ressonância Magnética
pode ser uma técnica promissora na deteção e prevenção destas alterações,
possibilitando ainda desenhar estratégias terapêuticas que melhorem a função
microvascular do tecido adiposo e previnam a obesidade “não saudável” e as suas
complicações como a diabetes tipo 2».

Cristina Pinto – Universidade de Coimbra

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