Concerto comemorativo da beatificação da Rainha Santa

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Tive o ensejo de assistir na
noite da passada sexta-feira ao concerto comemorativo da Beatificação da Rainha
Santa, que teve lugar na Sala do Capítulo do Convento de Santa Clara-a-Nova,
espaço que se encontrava apinhado de gente.

A Confraria, a quem coube a
organização do evento, está uma vez mais de parabéns pelo seu empenho na
elaboração dos programas que dizem das Festas da Santa Rainha. Acerca da noite
em questão, que me seja permitido deixar aqui o meu testemunho pelo que ali
assisti em termos musicais: uma primeira parte em que a talentosa jovem Beatriz
Cortesão executou em Harpa, com elevada mestria, excertos de Haendel, Glinka,
J. Tomas e E. Walter Kuhne, deixando em todos um sentimento de profunda
admiração. A segunda parte foi da responsabilidade da Filarmónica de Lorvão
dirigida sob a batuta do Maestro Paulo Almeida, que apresentou um seleccionado
reportório clássico adequado ao momento, onde pontuaram obras de Verdi, Grieg,
Schubert, Ravel e por último de Gonçalo Paredes.
Meia centena de executantes, na
sua maioria gente jovem e com formação superior ao nível dos nossos
conservatórios e das várias escolas de música mostraram lado a lado com os mais
velhos e seus timoneiros, o que é a Divina Arte dos Sons. Momento
particularmente expressivo viria a acontecer quando executou a Avé Maria de
Schubert e o Vigário Geral da Diocese, Doutor Pedro Miranda e antes Pároco de
Lorvão a acompanhou a solo em Flauta Transversal. Uma maravilha aquilo que nos
foi oferecido! Uma primorosa mais -valia esta colectividade, que faz parte das
nossas quarenta e cinco Filarmónicas do Distrito e das cerca de setecentas do
nosso País, de quem um dia alguém disse com autoridade e eu subscrevo na
integra, serem elas os nossos conservatórios locais e daí o respeito que nos merecem
enquanto baluartes da nossa cultura.
Desconheço no seu todo como estão
actualmente todas as outras em matéria de reportórios, de ensino, de
organização, de vida. Mas esta, que ostenta o merecido nome de Filarmónica Boa
Vontade Lorvanense é um exemplo a seguir e por isso lhe deixa um forte aplauso.
A. Castelo Branco – Coimbra


Artigo de opinião originalmente publicado na edição impressa
do Diário de Coimbra de 20.04.2016 e foto cedida pelo Prof. Nelson Correia Borges

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